sexta-feira, 25 de março de 2011

Tudo Acontece Aqui e Em Todo Lugar

É muito legal tu entrar numa sala de cinema e se deparar com personagens heróicos com poderes incríveis, ou vilões extremamente ardilosos e totalmente sem escrúpulos. Há também monstros, alienígenas, zumbis...personagens que tu dificilmente vai encontrar andando pela rua.
É a magia do cinema. É fantasia.

Mas também faz parte do cinema nos apresentar personagens comuns. Gente que poderia ser comparada a mim ou a a você. Personagens com quem tu se identifica de imediato. Também faz parte do cinema nos emocionar fazendo com que nos olhemos no espelho.

E neste aspecto, o diretor Cameron Crowe é um mestre.
Quem não se identificou com Tom Cruise em Jerry Maguire, ou com o inseguro Willian Miller em Almost Famous...? Até mesmo os personagens do Singles, jovens adultos crescendo, buscando relacionamentos...Este Singles inclusive, um filme subestimado de Crowe.

Tocamos em três pontos cruciais no parágrafo acima para falar sobre o filme escolhido para hoje:
Cameron Crowe
Personagens "humanos demais"
Filme subestimado

O filme mais recente de Cameron Crowe é de 2005, foi recebido de forma morna por público e crítica. Mas apesar disso, é inegável que Elizabethtown (Tudo Acontece Em Elizabethtown, aqui no Brasil) é um filme brilhante, com personagens carismáticos, com profundidade e um roteiro emocionante.

O filme conta a história de Drew, que, após fracassar em seu grande projeto na empresa onde trabalha, recebe a notícia que seu pai está morto numa pequena cidade do Kentucky, Elizabethtown, e é convencido pela irmã e mãe a ir buscar o corpo para a cremação.

No avião, Drew conhece a encantadora aeromoça Claire que, por acaso, também é de Elizabethtown.
Acrescenta-se uma família com todos os tipos caricatos que toda família tem e que Drew não via há anos.
Pronto!
Temos uma história totalmente corriqueira, mas contada de forma inspirada.

Drew, o protagonista, é interpretado por Orlando Bloom (mais conhecido por Legolas, de Senhor dos Anéis e Will Turner de Piratas do Caribe). É um ator que, sinceramente, nunca me despertou grande admiração. Mas está impressionante neste filme. É o tipo de personagem que, pelo menos em uma cena, tu vai se identificar com ele. Ele dá uma humanidade, uma realidade, ao personagem, que chega a emocionar. Principalmente nos momentos em que ele está sozinho na estarada.

A aeromoça Claire é a eterna Mary Jane, de Homem Aranha, Kirsten Dunst. E ela está ainda mais apaixonante neste Elizabethtown. Uma garota sensível e sincera, mas que parece sempre esconder alguma coisa...algum sentimento que não quer que as pessoas percebam. A interpretação dela aqui está espetacular.

Mas todos os créditos vão para Cameron Crowe.
Sempre digo isso: Vamos valorizar diretores assim. Diretores autorais.
Crowe escreve e dirije este filme com uma riqueza de detalhes impressionante.
A começar pelo roteiro. Interessante, cheio de diálogos irresistíveis, voltas e reviravoltas, supresas, um humor delicado que permeia o filme todo, mas também uma carga dramática intensa.
Nunca vi ninguém falar sobre fracasso e busca por superação com tanta humanidade como Cameron Crowe consegue fazer.

Para completar, o longa conta com uma trilha sonora maravilhosa com Tom Petty, The Hollies, The Temptations, Elton John, Ryan Adams...
A fotografia do filme é cuidadosa, principalmente destacando a paisagem ao longo da viagem de Drew pelos Estados Unidos.
E, por fim, a montagem, esperta, sem exageros de cortes, ou flash backs forçados.

É um filme que todo mundo deveria ver.
Porque todo mundo já fracassou feio.
Todo mundo já pensou no pior.
Todo mundo é, pelo menos um pouco, inseguro.
Todo mundo luta pra se re-erguer.
Todo mundo chora.
Todo mundo se apaixona.
Todo mundo se aventura.

Todo mundo vive. E sofre as consequências boas e ruins de viver.

Tudo acontece em Elizabethtown.
Tudo acontece em Marília.
Tudo acontece, seja lá onde você viva.


Passarinho, que som é esse?


Tigermilk - Belle & Sebastian

É muito raro aparecer no cenário musical quem consiga produzir tanto com qualidade, bom-gosto e sensibilidade.
Pois os escocesses da banda Belle & Sebastian são um desses raros casos. Com nove discos lançados até agora, os caras ainda não erraram a mão, apresentando sempre canções bem elaboradas, originais e inspiradas.

Mas Tigermilk tem um charme a mais. É o primeiro disco da banda. Foi lançado em 1996, uma tiragem de apenas 1000 cópias em vinil (que hoje em dia devem valer por volta de quatrocentos ou quinhentos euros cada) e depois relançado em CD pelo selo Jeepster.

É um disco encantador. Stuart Murdoch é um compositor brilhante. Com influências que vão de The Smiths a Nick Drake, passando por Donovan, Bob Dylan e Pavement, ele escreve canções introspectivas, com melodias intrigantes e envolventes.

Falando assim, muitos podem pensar que estamos falando de um disco de baladas melosas.
Ingênuo engano.
O disco traz canções, não agitadas e com guitarras distorcidas, como poderia esperar um rocker. Mas sim canções inspiradoras que te trazem um entuasiasmo, mas de forma tranquila, como quem diz: "Hey, vai ficar tudo bem. Relaxe.". Assim são canções como My Wandering Days Are Over, You're Just A Baby e Expectations, com um refrão emocionante.
Mas é claro que Murdoch também escreve baladas tocantes como a doce Mary Jo e a lindíssima We Rule The School, que discorre sobre um arranjo de piano e cordas de arrepiar.

Esse é discoteca básica.
Até pode baixar, mas vale a pena comprar e ter o original na estante.



Esse disco é para quem gosta de:
Filme europeu, roupa de brechó, fumar cigarro mentolado, Jeff Buckley, ler livros em praças públicas, discutir problemas sentimentais no bar, The Smiths, não ter perfil no facebook.

Aperta o play, Macaco! -
The Fool On The Hill - The Beatles

quinta-feira, 17 de março de 2011

Recapitulando: A intenção deste blog é, a cada post, falar sobre um filme e um disco e, no meio disso, falar um pouco sobre mim. O que quer dizer que, principalmente os filmes, não são escolhidos ao acaso.
Sempre pego um filme pra falar sobre que corresponda com o que eu ando sentindo, vivendo...enfim, um filme que fale um pouco sobre o momento que estou vivendo e tenho vontade de dividir isso, expresar de alguma forma.

E o fato é que eu fiquei muito na dúvida sobre a escolha do filme de hoje.
Até porque estou numa das fases mais complicadas que já vivi.

Recentemente eu me dei conta que tenho uma porção de grandes amigos. Realmente bons amigos.
E mesmo eu sabendo disso, sempre mantive certa distância.

A palavra é cumplicidade.
É algo difícil de arrancar de mim. Eu sou muito bom para ouvir as pessoas, para, às vezes, até dar uns conselhos tortos...mas quando é minha vez de falar, fico na defensiva. Ou sou muito evasivo, ou faço piada...
E, de repente, me deparo com um momento em que eu precisava ter essa cumplicidade.
Eu sei com quem eu posso ou não posso contar.
Mas não consigo sair do casulo e realmente conversar sobree mim mesmo.

Por um momento, cogitei hoje falar sobre o The Wall, do Alan Parker, mas achei óbvio e meio forçar a barra...

E o filme que eu acabei escolhendo é uma obra prima de um diretor pouco valorizado.
Quase Famosos (Almost Famous) do Cameron Crowe é um filmaço porque ele fala de amizade e cumplicidade acima de tudo.
Toda a história de a banda Stillwater ser o Led Zeppelin ou quem quer que seja é só uma curiosidade. A coisa toda do rock n' roll life style, banda na estrada e tal é só pano de fundo para mostrar a história de amizade e cumplicidade entre o garoto Willian Miller e a encantadora Penny Lane.

Ok, vamos situar a coisa toda.
Almost Famous conta a história de Willian Miller, garoto precoce que começa a escrever críticas de discos para zines e revistas locais e acaba sendo contratado pela revista Rolling Stone para acompanhar uma banda em ascenção numa turnê. Entre seus ídolos do rock ele conhece Penny Lane, uma misteriosa garota que se diz "ajudante da banda" e não uma reles groupie.
E o filme gira em torno desse mundo. Um garoto crescendo entre rock stars de egos inflados, garotas complicadas e uma mãe super-protetora.

Vamos aos créditos.
Quem, de cara, rouba a cena é, como sempre, Philip Seymour Hoffman, interpretando o mítico Lester Bangs. Hoffman dá um banho de atuação encarnando este personagem pitoresco da história do rock, um crítico mal-humorado e muito ácido.
Billy Crudup também se destaca como Russel Hammond, um guitarrista talentoso e egocêntrico.
Mas a grande surpresa do filme é Kate Hudson no papel de Penny Lane. Ela está irresistível! Além de lindíssima, ela consegue passar muita emoção em diferentes momentos.

Por fim, temos o bom gosto e sensibilidade de Cameron Crowe na direção.
Não à toa este filme é um grande marco em sua filmografia, já que o filme é baseado na história dele mesmo. Ele começou garoto a escrever resenhas para revistas de rock e acabou escrevendo para a Rolling Stone por muito tempo antes de virar cineasta.
Assim sendo, já dá pra sacar que a trilha sonora do filme é espetacular. Em alguns momentos a fotografia enche os olhos e a montagem é irretocável!

Há dois momentos no filme que ilustram bem o que eu dizia acima sobre cumplicidade e amizade.
Primeiro é na cena em que Willian conta a Penny Lane que ela foi disputada num jogo de pôquer entre duas bandas...ela tentando esconder as lágrimas é tocante.
E a melhor cena de todas (para mim, uma das melhores cenas que eu já vi na história do cinema) é quando, após uma treta feia da banda, estão todos no ônibus. Está tocando Tiny Dancer do Elton John, Willian diz para Penny Lane que ele precisa ir para casa.
Ela olha para ele com um olhar tão doce e encantador, diz "você está em casa." e encosta a cabeça no ombro dele.

E isso, meu amigo e minha amiga, isso é cumplicidade.


Passarinho, que som é esse?


Feels Like Home - Norah Jones

Norah Jones fez muito sucesso em 2002 com seu disco de estréia Come With Me, um disco de jazz basicamente, com boas melodias e um hit certeiro em trilha sonora de novela da Globo inclusive.

E, em 2004, o esperado segundo disco chegou surpreendendo todo mundo.
Em Feels Like Home, a cantora abraçou o country, folk e bluegrass de forma irresistível!
As baladas cheias de acordes jazzísticos, deram lugar à simplicidade do country.
E ela acertou em cheio.

Num gênero onde é muito fácil cair no senso comum, Norah Jones esbanja qualidades tanto como instrumentista e cantora e também como compositora, já que ela escreve boa parte do material do álbum.

Em algumas canções ainda ouvimos ecos da formação jazzista de Jones, como no solo de piano elétrico da canção In The Morning. Mas ainda assim, a carga blues é mais forte.

O disco é todo saboroso.
Tem arranjos na medida certa, nem muito minimalista, nem muito cheio de firulas. Os timbres são excelentes, principalmente de baixo e violão, tudo valorizando a voz doce da cantora.
É tudo macio, para você ouvir e se sentir bem, como deve ser um bom disco de country ou bluegrass.

Destaco a linda The Long Way Home com aquela levadinha country sensacional, a animada Greepin' In também não fica atrás no quesito country.
Quando se trata de baladas, Jones também faz bonito e traz a belíssima Humble Me e a emocionante Those Sweet Words. Para ouvir apaixonado.

Mas o disco todo passeia por este contexto.
Arranjos de bom gosto, boas composições, interpretações saborosas...
É tudo que você precisa!

Vai lá ouvir.

Este disco é para quem gosta de:
Ir ao cinema sozinho, namorar no sofá, capuccino, Willie Nelson, caminhonete velha, passear no campo, Joni Mitchell, Jack Daniels, tempo frio.

Aperta o play, Macaco! - Acabou Chorare - Novos Baianos

terça-feira, 1 de março de 2011

É recorrente no mundo das artes um certo desequilíbrio.
Da mesma maneira é recorrente, da filosofia ao papo de mesa de bar, as inúmeras tentativas, em geral frustradas, de definir o que é loucura.

Do mesmo jeito que eu, por exemplo, tenho meus inúmeros defeitos...melhor dizendo: barreiras. Me sinto totalmente à vontade quando trata-se de assuntos que eu amo incondicionalmente como música e cinema. Ou quando componho uma canção e escrevo aqui neste blog.
São coisas que me satisfazem. É uma postura minha que não combina em nada com a vida que eu levo fora deste mundo.
Já falei sobre isso demais aqui, não quero ser repetitivo.
Mas tudo que me decepciona em mim mesmo. Todas as barreriras que eu não consigo quebrar...é tudo acumulado num canto e...sabe como é, causa um monte de sentimentos ruins que eu acabo não dividindo com as pessoa s e tal.
Obviamente é algo que não deixa de me afetar racionalmente. Pode ser considerado loucura de certa forma...?

E é na música e no cimena que esses sentimentos são acalmados.
É como se alguém me pegasse pela mão, ou me abraçasse me mostrando um ponto de esperança, dizendo que vai ficar tudo bem.
Se no filme as coisas acabam bem, por quê não na vida real também?
Ou o mundo também não é feito de um pouco de ilusão?

Ontem eu assisti um filme que há muito não assistia.
Um filme que me causou grande impacto, porque o assisti quando adolescente, a fase de rebeldia, e uma fase onde passei maus bocados por conta de pais, bem intencionados, mas super protetores em muitos momentos, causando certa repressão (que combinada à rebeldia juvenil) não me ajudou muito a crescer de verdade.

Trata-se do filme Shine. Um filme aclamadíssimo pela crítica, mas nem tanto conhecido pelo público.

Ele conta a história real de um pianista australiano que desde criança apresentava um talento descomunal, mas que sofria muito com um pai opressor. Certamente o garoto já tinha uma pré-disposição a algum problema mental, mas isso o filme não deixa claro.
O fato é que o garoto cresce, vai para uma grande escola de música, mas acaba sucumbindo a pressão dos grandes concertos.
Volta ao seu país natal, é internado em uma clínica psiquiátrica e é afastado da música.
Até que o acaso (sempre o acaso) o faz voltar á música de forma comovente.

O filme não é tão brilhante tecnicamente.Tem alguns momentos realmente impressionantes na fotografia, mas no geral o filme é básico. O que prende o espectador é a montagem esperta mesclando flashbacks e o momento atual do músico e o roteiro muito bem escrito, dando profundidade aos personagens.

Shine, lançado em 1996, foi escrito e dirigido por Scott Hicks, um diretor pouco conhecido mas com obras interessante como Neve Sobre Os Cedros.
Mas quem dá todo o peso dramático do filme é a atuação espetacular de Geoffrey Rush (mais conhecido por filmes como Piratas do Caribe e Contos do Marquês de Sade) no papel principal, o pianista David Helfgott. Também impressiona a atuação de Noah Taylor interpretando Helfgott em sua adolescência.

Apesar de o filme ser velhinho, não foi dar spoilers da história para que você possa ir atrás e assistir esse belíssimo longa.

Com certeza, se você, assim como eu, se sente perturbado, desamparado e etc em alguns momentos da sua vida (quem não se sente assim de vez enquando?), esse filme lhe trará uma boa dose de esperança e tranquilidade.

Recomendadíssimo, ok?


Passarinho, que som é esse?


Foo Fighters - There's Nothing Left To Lose

Li em algum lugar que o disco Rotomusic de Liquidificapum é o disco do Pato Fu que os fãs do Mr Bungle mais gostam.
Seguindo essa linha de pensamento, posso dizer que There's Nothing Left To Lose, terceiro disco dos Foo Fighters, lançado em 1999, é o disco da banda de Dave Grohl que os fãs do Teenage Fanclub mais gostam.

Tá difícil de entender?
Eu explico.

Os Foo Fighters vinham de dois discos muito fortes. O primeiro, homônimo, bem cru e urgente e já mostrando as qualidades de Dave Grohl como compositor. Mas o disco ainda se mantinha na sombra do Nirvana.
Já com o segundo disco, The Colour and The Shape, a banda deixa de ser conhecida como "a banda do baterista do Nirvana" e se firma como Foo Fighters, uma das grandes promessas do rock n' roll contemporâneo. O disco é energético, pesado, mas com boas melodias bem dosadas.

E eis que aparece este There's Nothing To Lose. Um disco delicioso como poucos!
Neste disco Dave Grohl parece ter encontrado a medida certa entre melodias emocionantes e guitarras saturadas, soando muito mais como uma banda de power pop do que uma banda de rock n' roll grunge, hard, ou seja lá como tu goste de classificá-los.

O disco abre com punch trazendo a música Stacked Actors, canção que, dizem as más línguas, é uma crítica (pra ser bonzinho) às atitudes de Courtney Love tanto à época que ela vivia com Kurt Cobain, como com o espólio do Nirvana após a morte de Cobain.

De resto o disco é um amontoado de melodias incríveis e letras bem sacadas que vão de relacionamentos amorosos a entusiasmo, diversão...
As mais marcantes do disco são Breakout (que fez parte da trilha sonora do Filme Eu, Eu Mesmo e Irene), Learn To Fly, que foi hit instantâneo com um clipe genial e Generator, uma canção empolgante com um riff do caralho onde Dave Grohl usa um talk box.

Explicando melhor o lance que falei acima, o restante do disco é feito de canções que caberiam facilmente num disco do Teenage Fanclub ou do Big Star (ícones do power pop e bandas geniais que tu deveria conhecer, ok?) tamanha a capacidade do Dave Grohl de escrever harmonias simples e encantadoras sem perder a linguagem rocker.

Só pra citar algumas, temos Aurora com um ar mais viajandão e um refrão delicioso, Headwires e Ain't It the Life, talvez as duas com mais cara do Teenage da época de discos como Howdy! e a belíssima Next Year, que também teve um clipe maravilhoso e tem um dos melhores arranjos da história da banda.

Sendo eu um fã de melodias, considero este o melhor disco dos Foo Fighters, justamente por ter essa mistura tão equilibrada de postura rock e melodias açucaradas.

Disco obrigatório!

Este disco é para quem gosta de: Levar a namorada pra tomar sorvete, ir ao cinema, tocar com a banda sábado de tarde, Teenage Fanclub, ficar em cima do muro entre o mainstream e o underground, Nirvana.

Aperta o play, Macaco! - Guitar - Cake

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"Acha que só você sabe o que é sofrimento? Vou lhe dizer algo sobre pessoas como eu.
Pessoas como eu sentem-se perdidas, inferiores, feias...e dispensáveis.
Pessoas como eu têm maridos que transam com outras mais perfeitas do que eu.
Pessoas como eu têm filhos que as odeiam.
É como acordar toda manhã e falhar. Olho em volta e todos parecem ter sucesso, mas por alguma razão eu não consigo, não importa o quanto eu tente.
Por alguma razão nunca serei boa o bastante."

É com essa fala de Michelle Pfeiffer que eu sempre choro. Só de transcrevê-la aqui já me encheu os olhos d'água.
Ela interpreta uma advogada bem-sucedida e está respondendo a um doente mental quando este diz a ela que ela não sabe o que é tentar, tentar, tentar e não conseguir. Pessoas como ela não sabem que tipo de sofrimento é esse, porque nasceram perfeitas.

Não sei se já falei sobre esse filme aqui, mas não importa.


Minha vida tem estado uma bagunça e eu tenho tentado de verdade me acertar.
Ninguém disse que seria fácil.
Mas começo a me preocupar de verdade.

Pensando recentemente sobre toda a minha vida. Tudo que eu desisti, tudo que eu deixei para trás, tudo que não consegui cuidar...
E cá estou eu. Com 28 anos. Sem um emprego fixo, sem saber direito o que quero da vida...sem um objetivo...um caminho.
Precisando desesperadamente de um carinho qualquer. Sabendo que sempre me apaixono e deixo escapar a garota amada.

E me peguei pensando...todos os meus amigos, são mais descolados, bem apessoados...perfeitos de certa maneira. Normais.
E eu sou só um gordo que tenta ser estiloso. Vesgo, que enxerga mal...E eu escondo isso falando pelos cotovelos sobre filmes e música...fazendo piadas...
Guardando pra mim toda uma vida de desprezo, solidão, tristeza...
Por quê com quem eu falaria sobre essas coisas...mesmo que entendessem realmente, do que adiantaria?

Eu ando de ônibus de graça e vou ao cinema de graça porque enxergo mal.
Isso não me torna diferente...pior ou melhor.

É onde finalmente acabam minhas lamentações e entra o filme.

I Am Sam (Uma Lição de Amor aqui no Brasil) me veio como um soco no estômago na primeira vez que assisti. Acho que foi a primeira vez que chorei de verdade assistindo um filme. Chorei de soluçar.


Sean Penn está espetacular interpretando Sam, um homem com sérios problemas mentais, um retardamento, como se seu QI fosse de uma criança...enfim. O fato é que ele engravida uma garota que, ao dar a luz à criança, a abandona.
Sam tem que criá-la sozinho.
Quando a garota, Lucy, interpretada de forma comovente pela Dakota Fanning, chega aos sete anos, o conselho tutelar aparece e a leva para um orfanato, alegando que Sam não tem condições de criá-la.

Entra em ação Rita Harrison, Michelle Pfeiffer arrasando também, uma advogada estressada que acaba, por acaso, assumindo o caso de Sam.
E assim se passa a trama de Sam tentando recuperar a guarda de sua filha.

O filme é todo maravilhoso. Uma fotografia notável, montagem espetacular, roteiro cativante e encantador e muito bem dirigido.
Fora a trilha sonora que conta com canções dos Beatles interpretadas por diversos artistas como Eddie Vedder e Wallflowers.

O filme é mais que recomendado.

Voltando um pouco a o que eu falava acima, esse filme é muito forte para qualquer pessoa com qualquer tipo de deficiência ou não
Para percebermos que todos temos nossas fraquezas, nossos momentos de desespero...

Eu assisto esse filme pelo menos uma vez a cada dois ou três meses.
E sempre choro nas mesmas cenas (e são várias as cenas que me emocionam).
Não será um problema físico que me impedirá de ser feliz, não é?

Ou é?

E é besteira não compartilhar isso com pessoas que você ama e confia.
Acontece que eu não consigo fazer isso. Porque realmente não saberia o que dizer...é tanta coisa, que eu acabo desistindo e fazendo uma piada sobre qualquer coisa.

Por isso tenho esse blog.

Pra dividir isso tudo.

Por isso, obrigado por estar aqui lendo isso tudo.


Passarinho, que som é esse?



Pearl Jam - Binaural

Toda banda com uma carreria sólida e com uma discografia extensa passa por isso.
Tem sempre um disco que é excelente e pouco lembrado até mesmo pelos fãs.

É o caso de Binaural, de 2000.
O Pearl Jam vinha de dois anos de muita atividade. Lançaram Yield e já saíram em turnê. Por problemas de saúde, finalmente sai o baterista Jack Irons (nunca gostei dele no PJ). no lugar dele entra o ex-Soundgarden Matt Cameron. E a turnê segue rendendo ainda naquele ano o lançamento do disco ao vivo Live On Two Legs.
Em 1999, ainda em turnê divulgando seu último disco lançado, participaram do disco Sem Fronteiras, em benefício das vítimas da guerra de Kosovo, com as músicas Last Kiss (que virou hit instantâneo) e Soldier Of Love.

Mas vamos ao Binaural.
O disco tem todos os elementos necessários para um fã do Pearl Jam, bem como para um apreciador de música em geral. Boas composições, criatividade e sensibilidade nos arranjos, peso quando necessário em algumas faixas, doçura em outras e uma produção cuidadosa.

Parece que o disco foi feito para que você não pule uma música sequer e ouça naquela sequência específica.
Começa com a furiosa Breakerfall, emenda com a energética God's Dice e, em seguida, a dançante Evacuation. Parece que foram feitas realmente para serem ouvidas nessa sequência.

E assim segue o disco. Não dá pra terminar de ouvir a viajandona Of The Girl e não pensar na bateria do início da divertida Grievance.

A banda está entrosadíssima em todo o disco. Timbres de guitarra escolhidos a dedo, o baixo criativo de Jeff Ament e a bateria cavalar de Matt Cameron, sem falar no vocal marcante de Eddie Vedder, que também toca guitarra em algumas músicas.
Falando na banda, é interessante notar que algumas das letras são de Stone Gossard e de Jeff Ament, coisa que não acontecia muito no início da banda, quando as letras ficavam somente a cargo de Vedder.

Particularmente, eu preciso citar a música Light Years, talvez a melhor faixa do álbum. Uma balada explêndida! A melodia de McCready e Gossard é lindíssima e Eddie Vedder traz uma letra tocante em homenagem a uma amiga da banda que sempre fora produtora deles e que morrera em 1997. No fim do refrão ele diz "nós não passamos de pedras, mas sua luz nos fez estrelas".

Foda pra caralho!

É um discão!
Vai lá ouvir!

Este disco é para quem gosta de:
Ativismo ambiental, cabelo ensebado, Neil Young, jogar basquete, camisetas largas, Screaming Trees, dirigir sozinho na estrada com o som alto.
Aperta o play, Macaco! - O Mistério do Samba - Mundo Livre S/A

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Silly Love Songs

Uma das coisas que mais me atrai no cinema e nas artes em geral, é o fato de poder ser surpreendido a qualquer momento.
Assistir a um filme, ouvir uma canção...e ser abruptamente tomado por determinado sentimento.

Também tem a liberdade.
Não só a liberdade criativa. Mas a liberdade de compreensão, interpretação...
A liberdade de se apaixonar.
E nessas horas a simplicidade, a ingenuidade...são coisas que tornam tudo mais encantador.

A música sempre me acompanhou quando estive apaixonado.
Além, é claro, de eu sempre ter sido apaixonado por música.

E quando você se desliga um pouco, fica vulnerável...
Mas o bichinho do coração está sempre ali mordendo. Faminto esperando uma paixãozinha que seja.
Todo mundo que não está apaixonado, sonha em se apaixonar.
Todo mundo que está apaixonado e não pode sequer pensar em ter a pessoa amada, também sonha em se apaixonar (por outra pessoa, claro).

Eu também sou assim.
Sonho em me apaixonar.

E um filme fez com que eu viesse aqui dizer isso tudo.
Um filme que eu dificilmente procuraria, já que sempre fui avesso a comédias românticas. Mas acabei vendo na TV este filme.
E fiquei encantado.

Letra e Música, Music and Lyrics no original, é uma comédia romântica.
Um filme que ganha o espectador por ter um roteiro levíssimo e despretensioso. E tem um charme a mais por se tratar de música, explorar de forma engraçada o revival dos anos oitenta.



Basicamente o filme gira em torno de Alex Fletcher (Hugh Grant), um astro pop dos anos oitenta que tenta desesperadamente escapar do ostracismo. Ele tem a oportunidade de voltar ao showbizz, mas para isso preciso compor uma canção nova. Como nunca fora letrista, casualmente ele acaba fazendo uma parceria com Sophie Fisher (Drew Barrymore), que cuidava das plantas do cantor e acabou se mostrando boa com as palavras.

Entre idas e vindas, é óbvio desde o início para todo mundo que eles vão acabar juntos.

O que interessa aqui é o meio do caminho.
Há de se dar o braço a torcer para Hugh Grant que consegue fazer uma atuação eficaz, no limite entre o mimado preguiçoso e o charmoso inseguro. Drew Barrymore também está encantadora.

É um filme onde não se cabe exigir uma fotografia primorosa ou um roteiro complexo. Não é um filme para ganhar prêmios.
É entretenimento.
E é muito eficiente nisso.

Além de ser sim muito emocionante, com um final de arrancar lágrima dos olhos de qualquer garota. Também pode fazer cair um cisco nos olhos de alguns marmanjos desavisados.

Eu recomendo mesmo este filme.
É uma comédia romântica. Mas sem o peso pejorativo do termo.

Sem contra-indicações.


Passarinho, que som é esse?


Cowboys Espirituais - DeLuxe

Antes de qualquer coisa, os Cowboys Espirituais é uma mega-banda, que reúne músicos de bandas fundamentais do rock gaúcho.
Dito isso, acrescenta-se o fato de produzirem uma mistura irresistível de country, folk e rock n' roll.
A banda foi formada em 1998 capitaneada por Julio Reny (Expresso Oriente) em parceria com Marcio Petracco (TNT) e Frank Jorge (Graforréia Xilarmônica).
Lançou o primeiro disco homônimo naquele mesmo ano.
Em 2000, Frank se desligou da banda amigavelmente para seguir sua carreira solo, mas ainda participou das gravações do segundo disco da banda: DeLuxe.

O primeiro disco, Cowboys Espirituais, vinha carregado de melodias calcadas no bluegrass e country, com uma sonoridade retrô.

Já este DeLuxe dá mais forma à proposta da banda de mesclar tais melodias do primeiro disco, com uma pegada mais rock. Aqui temos mais guitarras e várias canções que bem poderiam ser um bluegrass, mas soam mais como rocks devido às guitarras de Petracco estarem mais presentes.

O disco abre com Jesse James, música sensacional, uma viagem ao velho oeste com steel guitar e tudo. Por ser a primeira faixa, é a canção que mostra a que veio o disco.

Seguem-se A Última Dança, Amor e Morte...canções fortes. Praticamente rocks.
O disco conta também com belas baladas como Você Não Pode Parar e A Noite Vem Caindo.
O country de raiz está bem representado nas excelentes Paisagem Campestre e Tem Gente Que É Feliz.

O disco ainda conta com duas versões muito bacanas. Por ser tão óbvio, os caras capricharam no arranjo country rock de Cowboy Fora da Lei do Raul Seixas. E a surpresa é a música Loira Loirinha, clássico da dupla Tonico e Tinoco. A música ganhou uma introdução hard rock, mas seguiu na linha country festiva dos cowboys.

É um disco saboroso pra ouvir naquele churrasco na fazenda ou no boteco jogando sinuca.
Diversão garantida em 13 músicas com arranjos caprichadíssimos e interpretação ídem.

Recomendado.


Este disco é para quem gosta de:
Usar chapéu e botina, cheiro de terra molhada, cerveja, Hank Willians, fumar cigarro de filtro vermelho, Lynyrd Skynyrd, carne mal-pasada, guitarras Telecaster.

Aperta o Play, Macaco! - Hey, Johnny Park! - Foo Fighters

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sabe por quê a vida é uma merda?
Porque, na maoiria das vezes, agimos de acordo com sentimentos mesquinhos...acabamos sendo menos racionais do que deveríamos.
E isso é natural a todo ser humano.

Mas tá tudo bem. Porque sempre tem quem perdoe tuas cagadas. Mesmo que tu não peça perdão.

Se existe em cada um de nós um ou mais monstros, também existem um ou mais heróis.
A diferença é que os monstros são mais sem-vergonha e aparecem com mais frequência, sem tu pedir. Já os heróis, ficam ali, na deles. E, muitas vezes, é difícil encontrar o caminho para chegar até eles e pedir que façam algo.

Ultimamente minha vida tem sido assim. Vou agindo , fazendo merda...e depois me dou conta das cagadas que fiz. Penso que poderia ter feito aquilo, dito aquilo outro...

Por isso assisti essa semana Onde Vivem Os Monstros, do Spike Jonze, e me emocionei muito.

Um filme que, a príncípio, seria um filme infantil, desses que a criança mal-criada sonha alguma coisa, ou sei lá o quê e aprende que a mãe está certa em mandá-lo escovar os dentes antes de dormir.
Mas ao decorrer do filme me deparo com um filme totalmente diferente. Uma abordagem nada infantil de uma realidade infantil...quero dizer, a realidade de uma criança.

A idéia é genial. Fazer vários monstros, cada um uma faceta da personalidade da criança. E ele, nomeado rei, acha que fará infinitas coisas. Faz tudo que uma criança faz: fantasia, se confunde, se diverte...e a cada momoento ao lado de um monstro, que é uma faceta de sua personalidade.

Acabei de ver o filme chorando bastante, tamanha a carga dramática que Jonze atira na tela, aliada a atuação eficaz do jovem Max Records.
Em alguns momentos a fotografia é brilhante e a montagem deixou a desejar pra mim em alguns momentos. Mas isso fui notar só na segnda vez que assisti. Quando se assiste pela primeira vez, não dá pra notar detalhes técnicos...

O que mais me marcou neste filme foi a solidão. Pois no fim, o filme é sobre o garoto Max convivendo com seus próprios monstros. Se sentindo sozinho, querendo atenção da mãe, da irmã mais velha...

Pra te falar a verdade, acho que este filme é a versão infantil do Clube da Luta.

E como se Max fosse o Edward Norton e os monstors fossem um só: Tyler Durden.
O forte que Max planeja construir com Carol, seu amigo mais próximo (justamente por ser o mais instável e "birrento" dos monstros) é o Projeto Maihen de Tyler Durden.

É um filme cheio de surpresas, um roteiro lindo e repleto de cenas encantadoras.

Recomendo este filme para todo mundo! De qualquer idade, que fique claro, já que queimei minha língua, pois quando o filme entrou em cartaz no cinema achei que era filme de criança e não fui ver.


Passarinho, que som é esse?


(What's The Story) Morning Glory? - Oasis


Os Oasis certamente foram uma das bandas mais controversas dos anos noventa.
Criaram polêmica alardeando serem melhores que os Beatles, criando confusão em tudo quanto é lugar, as costumeiras brigas entre os irmãos Liam e Noel Gallangher...realmente eles tinham tudo para serem desprezados.

Mas acontece que após um disco de estréia contagiante, eles aparecem em 1995 com (What's The Story) Morning Glory? um disco irretocável.

Uma pena que alguns fãs dos Beatles confundam referências com plágio, acusando os Oasis de copiar os Beatles.
O fato é que os irmãos Gallangher, além de barraqueiros, são compositores de primeira!

O disco abre com a faixa Hello dando o tom do disco. Guitarras altas, boas melodias e letras falando de amor, alegria, ligar o foda-se...Um disco que condensa o rock n' roll desleixado, a doçura das canções de amor...tudo na medida exata.

Não dá pra não citar faixas como Don't Look Back In Anger, Roll With It, Some Might Say...músicas contagiantes.
Há ainda as belas baladas Champagne Supernova, a belíssima Cast No Shadow e a famosona Wonderwall.

A produção do disco ficou por conta de Owen Morris, que, sabiamente, deixou o som da banda cru na medida, como se estivessem tocando num pub para uma pequena, mas animadíssima platéia.

Para mim, os grandes destaques do disco são as músicas Some Might Say com uma melodia contagiante, a pesada Morning Glory e, minha favorita, She's Electric, o tipo de música que eu costumo chamar de perfeita. Tem uma melodia simples, mas envolvente e deliciosa, uma letra bem sacada, um arranjo esperto...

Olha, vá ouvir esse disco sem medo.
Você vai comprovar que é um disco onde não se pula uma única faixa. E no final ainda dá vontade de ouvir mais.

Este disco é para quem gosta de:
Fazer birra, cabelo na testa, tomar porres e dar trabalho, The Who, drogas sintéticas, roupas de brechó, The Beatles, pós-punk e a bandeira da Inglaterra

Aperta o play, Macaco! - Padam Padam - Edith Piaf

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Aproveitando um trabalho que tive que fazer para a faculdade, assisti o filme nacional Como Fazer Um Filme de Amor.

Achei o filme bem interessante e resolvi resenhar ele aqui pra vocês.

Como Fazer Um Filme de Amor


Mascando clichê.


O título deste filme de José Roberto Torero é muito auto-explicativo.
O filme vem retratar todos os clichês possíveis e imagináveis usados para atrair a atenção do público-alvo de filmes românticos (leia-se: mulheres).

O longa ganha pontos por ser um filme autoral (coisa cada vez mais rara, não só no cinema nacional). Torero é um roteirista de mão cheia. Neste trabalho, amarra muito bem as cenas, fazendo uso de um narrador esperto e engraçado.

As atuações funcion
am bem. Denise Fraga é a protagonista junto com Cássio Gabus Mendes.
Fraga é a típica mocinha de comédias românticas. Simpática, divertida, esforçada, bondosa...ela tem que ser encantadora sem fazer uso somente da beleza. Mas seu desempenho deixa um pouco a desejar. Ela não consegue cativar o espectador como deveria. Mas se sai bem nas cenas mais engraçadas.
Cássio Gabus Mendes já consegue se sair melhor. É convincente ao viver o típico mocinho de filmes românticos, um homem charmoso e petulante, mas solitário. Além, é claro, de ter uma veia cômica excelente.

Mas, como bom clichê d
e cinema, o destaque fica com o vilão. Marisa Orth desempenha maravilhosamente o papel de vilã! Usa de todos os clichês existentes. Roupas escuras, é meio brega, mal-humorada e tem um capanga brucutu (vivido com perfeição por André Abujamra). Orth é naturalmente uma atriz de comédia, o que torna sua personagem ainda mais deliciosa.

O uso dos clichês, que muitas vezes pode decepcionar o espectador, torna o filme mais interessante, já que o narrador (o excelente ator Paulo José) vai deixando claro que aquilo tudo é intencional, justamente para ficar explícito como deve ser feito um filme de amor.

Todos os clichês estão lá. O casal protagonista se encontra pela primeira vez e se desentende, além de, aparentemente, não terem nada em comum.
Laura (Denise Fraga) é meiga e engraçada, boazinha...se preocupa com a mãe doente. Alan (Cássio Gabus Mendes) é ri
co, petulante, mas charmoso e, no decorrer do filme, se mostra solitário. Cada um deles tem um confidente. Ela a mãe, ele o mordomo.

A vilã Lilith (Marisa Orth) é autoritária, mesquinha, mau-humorada. Seu capanga Adolf (André Abujamra) é um brucutu alemão com sotaque carregado, desprovido de cérebro e devoto incondicional de sua chefe.

Ao decorrer do filme, mais e mais clichês pipocam na tela. Praias desertas, o casal correndo em câmera lenta, depois lado a lado trocando segredos, a vilã enciumada faz de tudo para separar o casal apaixonado e, é humilhada no final. O mocinho faz uma "loucura" para demonstrar seu amor...

Enfim. É um filme que ironiza este filão tão rentável do cinema, que se faz valer de uma fórmula só, não deixando espaço para roteiros mais ousados.
E este é o grande mérito de Como Fazer Um Filme de Amor.


Passarinho, que som é esse?


Era Uma Vez Um Gato Xadrez - Acretinice me Atray

Li em algum lugar que deve ter alguma coisa na água do rio Guaíba que faz sair de Porto Alegre tanta banda esquisita.
Deve ser verdade.
Acretinice me Atray é um projeto musical que vem desde o começo dos anos noventa, capitaneado por Egisto Dal Ponte, membro dos Colarinhos Caóticos e produtor do clássico primeiro disco do Júpiter Maçã.
Em resumo, a banda teve várias formações e sempre primou pelo improviso, letras beirando a poesia e o nonsense...tudo muito cretino mesmo.
A formação clássica da banda está neste disco, lançado em 2000: Egisto Dal Santo (baixo), Cléo de Páris (vocal), Jimi Joe (guitarra), Astronauta Pingüim (teclados) e G. Schneider (bateria e outras percussões).

Era Uma Vez Um Gato Xadrez traz a irreverência do rock gaúcho, calcada no teatro do absurdo, jovem-guarda, Oscar Wilde, clichês retrô...tudo programado pra ser exagerado, até mesmo meio forçado. Cretino mesmo!

Essa mistura toda acaba tornando o disco maravilhoso. Tem boas melodias, bom humor, espetadas no povinho pseudo-intelectual...

A música que abre o disco dá o tom da obra toda. Boneca Comestível é uma música jovem-gardista com uma letra bizarra, um haikay nonsense.
Daí em diante, rola muito rock n' roll com um pé no blues e outros trinta e nove pés na psicodelia.

Destaco as canções Meu Amor/Não Existe Amor, Relâmpagos do Progresso, Duas Mulher e Sandina (que ficou famosa pelos Replicantes nos anos oitenta).

Se tu não está habituado a muita loucura sonora, fuja deste disco e vá procurar Mutantes, Júpiter Maçã e coisas do gênero.
Para iniciados neste filão, é só ouvir e se deleitar.

Este disco é para quem gosta de: Tirar onda de retrô, LSD, roupas coloridas, pin-ups, Syd Barret, Monty Phyton, rock gaúcho, brechó, goma de mascar.

erta o play, Macaco! -
I Will - The Beatles