segunda-feira, 27 de junho de 2011

Um motivo.

Muitas coisas me motivam a vir hoje escrever.
A primeira delas é a pura necessidade. Sinto uma baita falta de escrever aqui. Mas o dia-a-dia não ajuda...

Todos vocês sabem que minha conduta aqui é sempre traçar um paralelo entre o filme escolhido e minhas experiências e/ou sentimentos em determinada fase da minha vida.

Pois bem, não que eu me considere um messias ou algo assim, mas o filme de hoje é o clássico A Vida de Brian, dos gênios do humor Monty Phyton.

Vamos falar brevemente sobre o filme, depois explico o porquê de ter escolhido este filme para hoje.

Monty Phyton's Life Of Brian (A Vida De Brian) foi lançado em 1979 e é o segundo longa-metragem do grupo Monty Phyton. Para muitos, inclusive este que vos escreve, este é o melhor filme dos Phytons.

O filme aborda a trajetória de Brian Cohen (Graham Chapman), que nasceu ao mesmo tempo que Jesus Cristo, numa manjedoura vizinha. Assim, Brian tem sua vida permeada por momentos que se cruzam com a história cristã.

Aos puritanos, se acalmem. Não se trata de um filme ofensivo ao cristianismo nem nada assim. É somente uma sátira àquele momento histórico, a dominação romana principalmente.

E que sátira, amigos e amigas!

O roteiro é brilhante! Assinado pelos seis integrantes da trupe, os Monty Phytons criam situações hilárias como um apedrejamento onde mulheres são proibidas de participar, uma briga durante uma das pregações de Jesus, dentre tantas outras.

As interpretações também são sensacionais. Em especial John Cleese e Eric Idle são dois comediantes fantásticos! Todos os Phytons atuam interpretando sempre mais de um personagem, incluindo mulheres.

A direção do longa ficou nas mãos de Terry Gillan, um diretor muito competente que, além de participar do grupo, dirigiu todos os filmes do Monty Phyton.
Particularmente, acho que o filme cansa em alguns momentos, fazendo com que se perca dinamismo em algumas cenas, mas em geral, a montagem do filme é muito boa e a fotografia ajuda bastante a tornar o filme mais agradável.

Mas pequenos detalhes técnicos não tiram o brilho desta comédia magistral do Monty Phyton.

A escolha deste filme para hoje, como foi dito no início do post, envolve diversos motivos.
O primeiro deles é a simples recomendação de um filme clássico, divertido, empolgante, engraçado e, por quê não, que passa uma mensagem valiosa: "Always look at the bright side of life." como diz a canção que encerra o filme. E também acreditar em seus próprios princípios, independente do que diga essa ou aquela religião, dogmas e costumes sociais pré-estabelecidos.

Há momentos em que tu acaba se surpreendendo com isso. De repente tu percebe que é possível fazer um monte de coisas bacanas independente do que as pessoas pensem.
Independente até do que tu mesmo pensa algumas vezes.
Escrever uma canção bacana, ou estar tocando e notar que tem gente realmente gostando do que tu está fazendo...ou até mesmo conseguir conquistar uma garota que tu não imaginava conseguir.

Este é o lado claro da vida, cara!
Às vezes, pode valer muito a pena tu se desprender e dar uma olhada para ele. Nunca se sabe o que tu pode encontrar.

Legal que no fim das contas a escolha deste filme fez mais sentido do que o esperado inicialmente.

Portanto, o filme está mais que recomendado.


PASSARINHO, QUE SOM É ESSE?


Wings Over America - Paul McCartney & Wings

Disco pra ouvir com lágrimas nos olhos!
É o primeiro registro oficial de McCartney no palco desde a época dos Beatles.
O velho Macca já tinha acumulado uns bons hits após o término dos Fab4 ao lado dos Wings.
Este disco duplo de 1976 é um apanhado destes hits, além de, é claro, um ou outro clássico dos Beatles.

O disco é impecável.
A abertura deste disco se tornou uma constante em seus shows Com a sequência Venus and Mars, Rock Show e Jet.
Quem estava em São Paulo naquele 21 de novembro no Morumbi sabe do que eu estou falando.

Mas ainda seguem-se Live and Let Die, Bluebird, Silly Love Songs...
É até pecado (pra linkar com o filme acima) citar só algumas das canções. Então vou destacar só mais três que são minhas favoritas: Jet tem neste disco talvez sua interpretação mais energética, Maybe I'm Amazed e My Love estão comoventes demais também.
Para os orfãos dos Beatles (o mundo todo?) Macca incluiu no repertório Lady Madonna, I've Just Seen A Face, Blackbird, Yesterday e The Long and Widing Road. canções que continuam firmes no set list até hoje.

O disco é um dos melhores albuns ao vivo já gravados na história do rock n' roll. Se houve adição em estúdio de algumas vozes ou instrumentos, eu não duvido, mas também não condeno. Todo disco ao vivo tem uma pós-produção forte.
É ou não é, Sr. Ozzy Osbourne?

O fato é que os músicos do Wings são soberbos em competência e feeling.
E o Paul McCartney é o carisma em pessoa. E neste disco mostra que está no auge de sua voz e técnica no contra-baixo.

É um discão.
Só faltou entre uma música e outra ele dizer "You're something else!" para me arrancar mais lágrimas!


Este disco é para quem gosta de:
Coisa boa.


Apertta o play, Macaco! - Wicked Games - Chris Isaak

terça-feira, 31 de maio de 2011

Deve haver alguma coisa que ainda te emocione.

Sempre há alguma coisa.

No meu caso, há diversas.
Estou lendo o mais recente livor do Humberto Gessinger, Mapas Do Acaso - 45 Variaçõews Sobre Um Mesmo Tema.
A linguagem de Gessinger é muito atraente. O livro é delicioso de se ler e muito fácil de rolar uma identificação. Não que tu vá concordar com tudo que ele fala, masrola muito um ímpeto de interromper a narrativa para dar sua opinião, como se aquilo fosse um diálogo, de fato.

É a velha história de tu fazer uma coisa com coração, com alma. Não ter como objetivo principal dinheiro, ou reconhecimento, mas única e simplesmente satisfação pessoal.

Consumir obras feitas à partir deste princípio é muito prazeroso. Como o livro do Humberto Gessinger, ou assistir ao Paul McCartney no palco, ouvir um disco do Rogério Skylab ou ver um filme do Cameron Crowe

Mas uma boa maneira de você visualizar o que eu estou tentando dizer aqui é assistindo ao excelente filme The Boat That Rocked (Os Piratas do Rock aqui no Brasil).

Lançado em 2009, este longa britânico conta a história das rádios piratas que despejavam rock n' roll e pop music aos ouvidos dos jovens britânicos cansados de música erudita e muita blá blá blá da BBC e demais rádios comerciais do Reino Unido.
Eram chamadas rádios piratas porque eram instaladas em velhos navios que ficavam ancorados nos gelados mares do norte da Inglaterra a uma distância considerável da costa, longe das autoridades.

É em torno deste mundo que o roteiro do filme é ambientado, misturando realidade e ficção.

Um time de locutores que se revezam dia e noite na Radio Rock recebem a visita de Carl, enteado de Quentin, dono da rádio. Ali, entre sexo, disputa de egos e muito, mas muito mesmo, rock n' roll, Carl vai tentar descobrir quem é seu verdadeiro pai.

O humor britânico ácido e irônico dá o tom do filme que não tem medo de ser politicamente incorreto e nem foge de clichês. Tudo na medida certa.
Ponto pra eles.

A explicação está no nome de Richard Curtis, que escreveu e dirigiu o longa.
Curtis é um roteirista brilhante! Escreveu Quatro Casamentos e Um Funeral, O Diário de Bridget Jones, Simplesmente Amor e boa parte dos episódios de TV do personagem Mr. Bean.

Encabeçando o elenco está um dos melhores atores da atualidade, Phillip Seymour Hoffman, que está impecável como The Count, um locutor apaixonado por rock n' roll.
O filme ainda tem os engraçadíssimos Bill Nighy e Nick Frost, além de um atores não tão conhecidos, mas muito competentes.

Não preciso dizer que a trilha sonora do filme é matadora, uma coletânea do que melhor se produziu em termos de pop music até 1967.

Esse é o tipo de filme que é complicadíssimo de se falar sobre.
O filme é tão encantador e engraçado. Tão inspirador, tão divertido...que não dá pra ficar só no básico. Há a necessidade de citar cada personagem, cada cena mais marcante, cada canção maravilhosa da trilha sonora e assim por diante.
O que resultaria num texto enorme que ninguém aguentaria ler.

Portanto, em resumo, posso dizer o seguinte:

The Boat That Rocked é um filme brilhante, inspirador e muito engraçado.
Tem interpretações magníficas de atores como Phillpi Seymour Hoffman e Nick Frost.
Foi escrito e dirigido pelo talentoso Richard Curtis que escreveu Quantro Csamentos e Um Funeral.
Tem uma trilha sonora arrasadora.
É um filme que fala sobre amor às causas perdidas, sobre acreditar no que te faz feliz...e também sobre sexo, drogas e rock n' roll, porque ninguém é de ferro.

Se depois de ler isso você não se interessar pelo filme, sinceramente, não sei o que você está fazendo aqui lendo este blog.
É melhor você ir voltar a assistir Gilmore Girls.


Passarinho, que som é esse?


The Meat Puppets - Live In Montana

Todo mundo já ouviu falar dos Meat Puppets por causa de sua participação no memorável acústico do Nirvana pela MTV.
Mas os Puppets vão muito além de Plateau, Oh Me e Lake Of Fire.

Na ativa desde 1980 a banda encabeçada pelos irmãos Chris e Curt Kirkwood mistura de forma inimaginável hard rock, punk, country e folk.
Tenho certeza de que possivelmente o melhor disco para se apresentar a banda seria seu segundo álbum, Meat Puppets II, lançado em 1984.
Mas este Live In Montana, gravado e lançado em 1999, é tão apaixonante quanto esquisito.
É tão inconsequente quanto impressionante. É tão maluco quanto divertido.

O disco é muito bem gravado.
Fica evidente que a banda é muito competente. Apenas quem tem domínio completo de seu instrumento pode subverter as regras da técnica e teoria musical e apresentar um resultado interessante, que fica no limiar entre o agressivo e o surpreendente.
Da mesma maneira, os duetos de vocal de Chris e Curt são divertidíssimos. Neste ponto é interessante que o ouvinte tenha algum conhecimento da obra da banda em estúdio para saber que os caras sabem cantar bem quando querem. O que torna o disco ainda mais divertido de se ouvir.

O repertório também é de primeira linha.
Resgata as grandes canções da carreira da banda até aquele ano, incluindo Lake Of Fire e Plateau, além de medleys muito bacanas com covers de Roy Orbison e Black Sabbath.

Admito que não é um disco de fácil audição para não-iniciados no mundo mais freak/noise da música pop. Mas vale a pena correr o risco e dar uma conferida.

É um disco perfeito para matar o tédio.
Também deve ser muito divertido ouví-lo chapado. (não tentem isso em casa, crianças).


Esse disco é para quem gosta de:
Ficar dias sem tomar banho, tocar guitarra, whisky barato, fumar (independente do que for), Neil Young, jeans rasgados, dirigir sem destino, Guru Guru, drogas, pedir dinheiro emprestado para mais uma cerveja.

Aperta o play, Macaco! -
The Story Of Bo Diddley - The Animals

terça-feira, 10 de maio de 2011

"De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."

Os imortais versos de Vinícius de Moraes neste Soneto da Separação só vem reforçar o fato: Ninguém passa incólume de um relacionamento terminado.
Não importa se partiu de você ou não o ímpeto de terminar. É sempre doloroso.

Eu não tenho muita propriedade para falar, é verdade. Mas já passei por diversas experiências e resolvi falar um pouco sobre isso porque recentemente assisti pela milésima vez um dos melhores filmes sobre relacionamentos já produzidos.

Baseado no livro homônimo de Nick Hornby, High Fidelity (Alta Fidelidade, no Basil) é um filme brilhante. Leve e atraente, mostra a vida amorosa de Rob Gordon (John Cusack), um dono de uma loja de discos meio ranzinza e mal-humorado que acabou de levar o pé na bunda de Laura (Iben Hjejle), sua namorada até então. Inconformado com o fim do relacionamento, Rob remonta sua vida amorosa lembrando os cinco mais doloridos foras.

Em meio a isso tudo, o filme mostra o dia a dia da loja Championship Vinyl, onde Rob é dono e trabalham para ele Dick (Todd Louiso), um nerd alucinado por música alternativa e Barry (Jack Black) um roqueiro infame.

O grande segredo do filme é contar uma história simples de amor entre Rob e Laura, de maneira interessante, recheando este enredo com inúmeras referências musicais, cinematográficas...enfim, cultura pop. Soma-se um humor saboroso e comedido, uma narrativa irretocável que faz parecer que o protagonista está conversando com você e atuações inspiradas.

Sempre achei John Cusack um ator excelente. Neste Alta Fidelidade, ele está impressionante. A entrega de Cusack ao personagem é tão grande que ele ajudou a escrever o roteiro do filme.
Outro destaque é o impagável Jack Black em plena forma, engraçadíssimo!

Com certeza o grande trunfo do filme é o roteiro. Simples, despojado, porém bem amarrado, envolvente e espontâneo. Dá humanidade aos personagens e realidade à trama ambientando a história na cidade de Chicago, por onde Rob anda enquanto conta suas histórias.

A direção é de Stephen Frears, um diretor britânico pouco celebrado em Hollywood, mas com muita destreza e sensibilidade. Já dirigiu filmes como Ligações Perigosas e Coisas Belas e Sujas. Tem uma linguagem visual limpa e conduz a história com intimidade.

O filme já começa com a frase: "Eu sou infeliz porque ouço música pop, ou ouço música pop porque sou infeliz?".
Sim, porque estamos rodeados de canções sobre tristeza, sofrimento e rejeição. Mostrando que ninguém no mundo sabe lidar com um coração partido.

Baseado nisso tudo, me sinto impelido a escrever meu top 5, com direito a comentário a seguir, claro.

TOP 5 Relacionamentos Terminados

5- Lilian
4- Laura
3- Patrícia
2- Suzana
1- Hortência

5- Lilian:
Tive um casinho com a Lilian. Não foi nada sério. Mas foi meu primeiro relacionamento, digamos duradouro. Fui eu quem pôs fim à brincadeira. Não me sentia à vontade ao lado dela. Acho que não rolava química. Mas não deixou grandes marcas negativas.

4- Laura:
A Laura foi um caso também. Não chegou a ser namoro. Não sei direito como acabou. Acho que eu forcei um pouco para que não rolasse mais. Me arrependo muito pela maneira como tratei ela algumas vezes. Sentia que ela gostava de mim. Fui muito injusto com ela. Por outro lado, nunca fui apaixonado de verdade por ela. O que explica muita coisa...

3- Patrícia:
Poucas vezes na minha vida me senti tão ruim como no dia em que terminei meu namoro com a Patty. Ela era incrível comigo, me fazia sentir bem, amado. Passei momentos incríveis com ela. Cheguei a amá-la de verdade. Mas tive que terminar com ela para não magoá-la nem traí-la. Foi terrível. Me senti o pior dos seres humanos naquela noite.

2- Suzana:
Aqui chegamos mais no clima do filme em questão. Rejeição. A Suzana me encantou de sobre-maneira. Fiquei apaixonado por ela, pela independência dela, pela simpatia, pelos cabelos vermelhos, pela sinceridade, pelo sexo...E de repente tudo acabou. Ela se afastou como se tivesse se cansado de mim. Nunca entendi o que aconteceu. Mas não chegou a ser um namoro oficialmente, era um affair que eu acabei levando a sério e ela não. Meio que a mina do 500 Dias com Ela, sabe?

1- Hortência:
Ainda hoje penso de vez enquando que nunca vou conseguir me recuperar do tombo que foi o fim do namoro com a Hortência. Nunca na minha vida eu me senti tão apaixonado, tão envolvido...tão feliz. E de repente não existia mais nada (da parte dela). Fiquei meses remoendo aquilo. Hoje entendo mais ou menos o que aconteceu e não a culpo. Eu era muito desleixado. Estava acomodado. Eu deveria ter conversado mais com ela. Saber o que ela esperava de mim, o que ela achava que estava indo mal...Tentar saber onde eu estava errando para poder melhorar e reconquistar o amor dela.

Fiz questão de escrever isso tudo aqui, até sendo um pouco indiscreto expondo tais nomes aqui, para dizer que todas essas garotas são muito especiais para mim.
A vida continua e outros amores virão (assim espero, pelo menos).
Mas as lembranças do que foi vivido ao lado dessas adoráveis garotas, jamais serão apagadas.

Porque ninguém sai incólume de um final de relacionamente.
Assim é e sempre será.
Mais um coração partido.
De repente, não mais que de repente.


Passarinho, que som é esse?


Pinkerton - Weezer

Sem dúvida um dos discos mais influentes e marcantes da década de noventa, Pinkerton é um disco impressionante!
Tem guitarras vigorosas e barulhentas, um baixo muito pesado, uma bateria martelada...e letras falando sobre desilusão, insatisfação e outras frustrações que afligem qualquer roqueiro do tipo que preferia estudar ao invés de fumar maconha no banheiro do colégio.

Depois de um disco de estréia soberbo, o Weezer saiu em turnê pelos Estados Unidos durante todo o ano de 1994. Tocaram em vários lugares diferentes, experimentaram o rock 'n roll lifestyle e tudo mais. Em 1995 Rivers Cuomo começou a compor o material do próximo disco do Weezer, usando um pouco da frustração da vida de rock star e outras experiências pessoais.

Saiu assim, em 1996, um disco visceral, urgente e poderoso. Letras confessionais, guitarras muito barulhentas e uma produção irretocável fizeram deste disco um marco para o rock alternativo mundial.
A re-invenção do power pop.

Destacar apenas uma ou outra canção do disco é missão dificílima.
O disco abre com Tired of Sex, um lamento sobre a frieza do sexo casual, segue-se a nervosa Getchoo, Why Bother com uma melodia atraente...daí por diante aparecem as melhores músicas do disco.
Across The Sea é uma canção emocionante sobre a relação platônica fã-rock star. The Good Life é, para mim, a melhor do disco, música completa. Letra linda, arranjo matador, tem peso, bela melodia...
Na sequência vem a divertidíssima El Scorcho, a sofrida Pink Triangle, a pesada Falling For You e o disco se encerra com a tenra Butterfly.

Sem exagero, é um disco perfeito.
Não à toa é considerado um dos discos mais importantes da décade de 90, é venerado por onze entre dez bandas de rock alternativo...

Quer diversão?
Quer lavar a alma depois de um coração partido?
Quer ouvir rock barulhento em alto volume?

Para isso tudo e muito mais:
Pinkerton!

Vai lá ouvir agora!



Este disco é para quem gosta de:
Paquerar no msn, cerveja light, óculos de aros grossos, The Flaming Lips, abotoar a camisa até o pescoço, The Big Bang Theory,Teenage Fanclub, jogos de tabuleiro.

Aperta o play, Macaco! -
Plastic Soda - Jupiter Apple

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Nem sempre funciona.

Venho hoje escrever aqui porque amo cinema.
O que me motiva a escrever aqui é falar sobre filmes que eu assisto e me emociono, me identifico...

A "experiência do cinema", como alguns de nós chama, é algo deslumbrante. Assistir a um filme e se identificar com um personagem, sofrer com ele, rir com ele. Também há os casos de um filme te levar a outra realidade, te encantar com uma história fantástica.

Para mim tudo é válido no cinema. Desde que você me traga uma história realmente cativante, envolvente e surpreendente.
Em determinados filmes o fator surpresa é fundamental. Aquela reviravolta do roteiro que te surpreende.
É por isso que venho, pela primeira vez neste blog, falar de um filme que me decepcionou.
E venho falar sobre ele porque o peguei com certa expectativa. Um diretor que não tinha me decepcionado até então.

Estou falando de Blood Work (Dívida de Sangue, aqui no Brasil), filme lançado em 2002 dirigido pelo Clint Eastwood.

O filme começa muito bem. Um assassinato com uma mensagem para um determinado policial....
Bem, vamos logo aos detalhes então.

Terry McLabeb (Clint Eastwood) é um famoso policial que desvenda vários crimes, alguns direcionados para ele através de mensagens.
Na cena de um desses crimes, McLabeb, que já tem certa idade, reconhece o assassino na cena do crime e sai correndo atrás dele. Depois de correr muito, ele cansa e acaba tendo um ataque cardíaco.

Passam-se dois anos e ele se recupera através de um transplante de coração.
Aposentado, ele vive num barco e tem como vizinho Buddy (Jeff Daniels).
Eis que aparece uma mulher atrás de McLabeb dizendo que sua irmã fora assassinada e gostaria que ele desvendasse o crime argumentando que o novo coração dele era o coração de sua irmã.

Começa aí a caça ao assassino.

O filme começa bem. Interessante e tudo. Mas, à partir do momento que começam as investigações, algumas cenas já mostram ao espectador mais atento várias pistas de quem é o assassino e tal.
Conclusão: No meio do filme, você já tem quase certeza de quem é o assassino e qual a relação entre os crimes que levam à morte da garota.

Não vou contar nada para quem quiser assistir tirar suas conclusões.

Visão técnica do filme.
Clint Eastwood é o mesmo de sempre. Policial durão e teimoso. Jeff Daniels se sai bem também, mas exagera em certos momentos. No elenco não há nada muito relevante.
O roteiro de Brian Helgeland é até bem escrito, mas é desleixado na trama. Escancara muito detalhes que poderiam ser mais minuciosos e intrigantes. A história cai no óbvio facilmente.
Clint Eastwood é um bom diretor, conduz bem a história, mas não faz muito que saia do cotidianoou que torne o filme mais atraente.
Se por um lado não há uma história envolvente, também não há grande apelo visual.

É um filme na média. É aquele tipo de filme que passa na Super Cine sábado de noite. Até tem uma certa carga de tensão, mas é superficial.

Para mim, senti minha inteligência subestimada. E isso me deixa puto em um filme.
Quando já dá pra sacar muita coisa, se o roteiro não virar de ponta cabeça e me trouxer um final surpreendente, vou sair decepcionado.

Se Eastwood queria um filme policial mais interessante, deveria ter assistido Seven ou Gosto de Sangue antes...

Assista se estiver afim para tirar suas próprias conclusões.
Mas eu não recomendo não.

Passarinho, que som é esse?


Like Swimming - Morphine

A banda Morphine é, com certeza, uma das bandas mais interessantes da história da música pop. Tanto sua obra como sua história é bem incomum.

A banda começou em 1989. Mark Sandman, baixista e vocalista, juntou-se a Dana Colley e o baterista Billy Conway e começaram a misturar jazz, blues com elementos do rock e new wave, chegando a uma mistura interessante e difícil de classificar.
Pra ficar ainda mais incomum, a banda não contava com guitarrista e Sandman costumava se apresentar com apenas duas cordas em seu contra-baixo.

Detalhe final:
Em 1999 Mark Sandman morreu de um ataque cardíaco fulminante durante um show da banda, em pleno palco.

Nada como um final feliz, né?

Mas vamos ao disco.

Like Swimming é o quarto disco do trio, lançado em 1997.
A banda é mais conhecida pelo seu segundo disco, Cure For Pain, mas este Like Swimming me pegou de jeito.

As músicas são hipnóticas, com profundidade. É muito difícil tu se prender a um aspecto só. Os arranjos são geniais.
Apesar do nome, não vá esperando uma banda de canções sonolentas e embriagadas.

Claro que uma coisa é a banda no palco e outra em estúdio. Assim sendo, é claro que a banda faz uso de guitarras e teclados. Mas tudo bem colocado e sem exageros, para que a coisa não saia de controle no palco, na hora de fazer ao vivo (alguém pode acabar tendo um enfarte por causa de coisas assim...).

Piadinhas à parte, o disco é contagiante.
Já começo destacando minha favorita Murder For The Money, com uma pegada blues pesada.
Blues, alíás, acho que permeia o disco todo.
Na sequência de Murder For The Money, temos French Fries With Pepper, outro blues, daqueles hipnóticos, com uma marcação de baixo sensacional em parceria com o sax grave de Colley.
Ainda na onda mais blues, temos a faixa-título, Like Swimming e a pesadíssima Eleven O'Clock.

O disco ainda vai passear pelo jazz em Swing It Low, I Know You Pt. 3 e Wishing Well. Passa pelo rock e pop mais tradicionais em canções como Potion e Early To Bed.

É um disco a ser ouvido em momentos de criação e descanso. Momentos em que tu não quer pensar muito e está com a cabeça cheia.

Pode parecer estranho, mas é um disco de canções tensas, que acabam por te relaxar durante a audição do disco como um todo.

Mergulhe fundo nesse disco agora.
Tu não vai se arrepender.


Esse Disco É Para Quem Gosta de: Festa estranha com gente esquisita, Echo and Bunnymen, tênis All Star, conhaque com limão, filmes sobre junkies, Lou Reed, óculos escuros na balada.

Aperta o Play, Macaco! -
What God Wants Part 1 - Roger Waters

segunda-feira, 28 de março de 2011

Sabe aquela coisa de "nada é o que parece"?
Super clichê, né?
Eu sei.

Mas muita gente acaba sendo assim, muitas vezes inconscientemente.
Outras, acabam sendo assim por puro descontrole.

Quando eu era garoto, na época de colégio, pra fugir de muita coisa, eu acabei me fazendo de malucão. O cara que fica no limiar entre o desleixado e o metido a artista (se é que existe distinção entre esses dois tipos de pessoa...).
Principalmente depois que comecei a tocar e entrar no rock isso foi aumentando.
Mais um clichê: E quando eu queria tirar a máscara, era muito difícil.
E isso acabou chegando a extremos pra mim.
Muito complicado.

Enfim...
Acho que todo mundo já passou ou passa por isso, nem que seja em escala bem menor.
Mas todo mundo sempre mostra um lado de si que nem sempre é o que predomina de sua personalidade e tu acaba virando uma caricatura de si mesmo.

Mas não vamos nos aprofundar nesse assunto.
Deixemos isso para psicólogos e afins.
Porque hoje falaremos de um dos filmes mais encantadores que eu já vi.

Dois bandidos fogem da cadeia, roubam um carro, até que chegam a uma casa. O que era pra ser um simples assalto, vira uma grande confusão e os bandidos levam um garoto de sete anos como refém e fogem.
Começa aí uma viagem emocionante que acaba abordando temas como família, amizade, escolhas e personalidade.

Claro que esse tipo de coisa não aconteceria se vivêssemos em Um Mundo Perfeito.
Em compensação tudo isso permite que diretores como Clint Eastwood façam filmes como este A Perfect World (Um Mundo Perfeito, aqui no Brasil).

Clint Eastwood dirige e atua nesta emocionante história que se passa no Texas da década de sessenta.
Me lembro de ter visto esse filme ainda bem novo, em meados dos anos noventa, e me lembro de ter ficado estarrecido. A cena final do filme nunca mais saiu da minha cabeça.

Butch Haynes e Terry Pugh fogem da penitenciária de Huntsville e começam a andar pela cidade em busca de um bom carro para pegar a estrada. Os dois não eram lá muito amigos e se separariam.
Mas Pugh acaba invadindo uma casa e armando uma baita confusão. Na fuga, acabam levando Phillip, um garoto de sete anos.
Os três pegam a estrada. No meio da viagem um desentendimento faz com que Butch mate Pugh. Agora a viagem era só de Haynes e Phillip.

Phillip vinha de uma família de testemunhas de Jeová e era cercado de restrições e tinha uma infância reprimida pela religião.
Butch começa a se afeiçoar ao garoto e nasce uma amizade verdadeira.
Mas até onde iria essa jornada?

Clint Eastwood é Red Garnett, um daqueles chefes de polícia casca grossa do sul dos Estados Unidos. Red começa a caçar Butch com tudo que pode.

Daí pra frente não há muito que eu possa dizer que não comprometa quem ainda não viu o filme.
Mas posso dizer que Kevin Costner está brilhante como Butch Haynes, mostrando duas personalidades. Por mais que ele faça muitas coisas bacanas, bons conselhos ao garoto e etc, ele é, inegavelmente, um ladrão, um bandido. E ele nem sempre consegue esconder isso. Mas fica a dúvida. Qual das duas personalidades é a predominante. Quem realmente é Butch Haynes? Costner realmente me impressionou neste filme.

De resto, o filme, em termos de atuações, não apresenta grandes supresas. O garoto Phillip, interpretado pelo T. J. Lowther (mais conhecido hoje como Dr. Hank McKee, da série Grey's Anatomy) é esforçado, mas nem sempre passa a emoção que o personagem pede.
Eastwood faz o mesmo papel de caubói durão que sempre fez. Com muita competência, claro. Mas sem novidades.

Mas Clint Eastwood dá um verdadeiro show na direção.
O filme, esteticamente, é lindo. Eastwood está em seu habitat natural e dirige o filme com sensibilidade, apesar de ser um filme violento e denso desde o início. Momentos de extrema emoção se misturam com momentos violentos.
É tensão do início ao fim...e que fim.

O roteiro é de John Lee Hancock, um roteirista e diretor pouco conhecido, mas que aqui faz um trabalho primoroso.
O roteiro é bem amarrado e prende o espectador à história com facilidade. Da mesma maneira que o personagem de Kevin Costner pega várias estradas em sentidos diferentes, mas sempre sabendo seu destino, assim Hancock escreve este roteiro. Tomando rumos que vão surpreendendo até chegar a um final emocionante que se relaciona com toda a história contada.

Um filme que não só te faz pensar.
É Um filme encantador e comovente.

Butch diz para Phillip dentro do carro que eles estão, na verdade, numa máquina do tempo. Aponta para frente e diz "Aquele é o futuro", aponta para trás e diz "Ali é o passado" e, por fim, pára o carro e diz "E este é o presente. Aproveite enquanto pode.".

E aí, você vai entrar no carro ou não?



Passarinho, que som é esse?


Betcha Bottom Dollar - The Puppini Sisters

Assim como o cinema, a música também é pura magia.
Pode te fazer, em pleno século vinte um, voltar à década de 1940.
Para isso, basta você pegar o disco Betcha Bottom Dollar do trio vocal The Puppini Sisters, se sentar e relaxar ouvindo uma a uma as sensacionais canções que este disco apresenta.

O trio começou em 2004 pelas amigas Marcella Puppini, Stephanie O'Brien e Kate Mullins, inspiradas no jazz e be bop de cabaré dos anos 40. Mas nada de querer fazer versões moderninhas nem nada. O negócio é abusar de arranjos à moda antiga.
Apesar de nehum parentesco (Marcela Puppini é italiana, enquanto as duas outras integrantes são inglesas) o nome do grupo foi inspirada nas The Andrews Sisters, essas sim irmãs, que fizeram grande sucesso nos anos quarenta e ficaram famosas por ir para alojamentos e hospitais aliados na Itália, dentre outros países, na Segunda Guerra Mundial para cantar e encorajar os soldados.

Este primeiro disco do trio é divertidíssimo e fundamental por resgatar um tipo de som que as novas gerações mal conhecem.
Os arranjos vocais são perfeitos. Não há como criticar, as três são cantorascompetentíssimas.
A banda que as acompanha não deixa por menos e faz um trabalho digno de aplausos.

Um dos grandes trunfos do grupo para chamar atenção da mídia, além de todo o visual retrô que as três jovens abraçam, foi fazer algumas versões de canções contemporâneas com os arranjos baseados no jazz, be bop e boogie-woggie que as cantoras estão acostumadas a cantar.
Dessas versões, sobressaem-se I Will Survive, clásico dos anos setenta e Panic, dos Smiths.

Mas o ouro está no repertório clássico escolhido pelas cantoras.
O carro-chefe do disco é Mr. Sandman, um dos standarts da música americana dos anos cinquenta, intepretada aqui de forma impecável.
A música de abertura do disco não poderia ser mais apropriada. Sisters, de 1954 ficou famosa por ser tema de um filme chamado White Christmas. A música é saborosíssima.
Outra música encantadora é a Java Jive, que além de tudo tem uma história interessante, já que é praticamente uma dessas canções de domínio público que data do fim do século dezenove, mas foi re-estruturada e gravada como conhecemos na década de 40 por Milton Drake e Ben Oakland.

Eu poderia falar de todas as canções do disco aqui, mas deixo para que vocês descubram por si todas as cores deste disco maravilhoso.

Já que falamos tanto de cinema aqui, não posso deixar de falar também que neste disco também está a excelente Tu Vuo' Fa L'Americano, standart da música pop italiana dos anos 50 de Renato Carosone. A versão das Puppini é ainda mais jazzista que a versão original, mas encantadora pelo arranjo de vozes.
O que tem a ver com cinema?
É que uma das melhores cenas do filme O Talentoso Ripley é quando essa música é tocada.

Sem contar que Mr. Sandman é a música que está tocando quando Marty McFly chega a 1955.

Concluindo.

Ouça esse disco.
Aproveite esta viagem ao passado sem preocupações.
Aqui você não vai precisar de 1,21 gigawats para voltar.


Este disco é para quem gosta de: Pin-ups, visual retrô, musicais da Brodway, Louis Prima, whisky e charuto, carros antigos, rockabilly, Nat King Cole, roupa de brechó, posar de blasé, Richard Cheese.

Aperta o play, Macaco! -
Super Homem - Wonkavision