quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tempos difícies.
Ao mesmo tempo são tempos maravilhosos e perturbadores.

Começo já falando de mim mesmo porque me rescuso a ir contra a avalanche de idéias.
Espero que você entenda quando eu chegar ao final do texto.

Como eu dizia, tempos difíceis e maravilhosos.
Porque minha vida está um turbilhão. Tenho feito mil coisas. Pensado em outras quatrocentas mil coisas...

Não vou entrar em detalhes para não chatear quem lê (você), mas posso dizer que tenho feito muita coisa que não tenho lá muito interesse...os trampos com meu pai...construção, cobrança, escritório e etc...Que consomem muito tempo, muito da cabeça com problemas e etc...Mas ao mesmo tempo, fazendo tudo me sinto útil.

Mas é uma merda...

Estou na faculdade de publicidade. Que não tem infra-estrutura, com professores de merda e trabalhos com prazo curto que tenho que conciliar com os trampos com meu pai...É uma correria do caralho, cansativo, angustiante...Mas, cada vez mais eu sinto que é isso que eu quero fazer.
Que não seja exatamente publicidade, mas trabalhar com comunicação...

E tem tudo o mais.
Tem toda uma vida aqui dentro de mim que não se encontra.

Sabe o que eu quero de verdade?
É ser reconhecido. Valorizado...
É egoísmo, eu sei.
Talvez aqui eu perca uma parte dos leitores deste blog que me enxergam como uma pessoa romântica e autruístra.

Mas, de verdade, me faz mais feliz ver uma pessoa feliz com alguma coisa que eu tenha feito por ela, do que algo que eu faça por mim simplesmente.

É meio difícil de entender.

Mas eu quero ser amado.
Veja bem, não falo aqui de idolatria. De mil pessoas me pedindo autógrafo e o caralho. É o reconhecimento de quem eu conheço e me importo.
É você, que lê meu blog e me escreve três linhas nos comentários e me deixam extasiado. Veja por exemplo o comentário que recebi no último post:
"O melhor post de todos os tempos - não apenas do seu blogue, mas de todos os outros que eu tenho acessado por aí! Havia muito tempo eu não me sentia assim: com essa coisa de ler algo, me identificar e não conseguir fazer mais nada que não seja parar e pensar na vida... e pensar exatamente no que foi dito por você... coisas que só o tempo e uma boa dose de otimismo são capazes de nos mostrar. São essas sensações e certezas (ainda que sejam raras e delicadas) que nos tornam melhores do que pensamos ser."
Quando eu leio um comentário desse tipo, eu fico muito louco...sem saber o que pensar direito. Porque eu paro pra perceber que é algo que eu escrevi aqui sem pretensão nenhuma...e que de repente, faz sentido para alguém.
Ainda mais quando esse alguém é alguém tão especial....especial mesmo.

Ou quando o cometário diz assim:
"Te amo! Não falo isso com frequencia... Mas as lágrimas que correram por aqui me disseram que era a frase certa... Lágrimas por causa do tapa que sinto quando leio coisas assim ... que me botam pra frente... Que me mostram coisas mais importantes que nós mesmos. Te Amo"

Pensar que eu arranquei lágrimas de alguém por causa de meia dúzia de palavras que eu escrevi...meu deus...(deus esse que eu não acredito)...eu só posso dizer EU TE AMO AINDA MAIS, GABRIELA! Não só por causa dessas palavras escritas aqui, mas por tudo que nós já conversamos na vida real.

Vida real...

SERÁ QUE É TÃO DIFÍCIL ASSIM???

Em contra-partida ao post anterior, venho hoje, pessimista, falar sobre loucura, vida real, sociedade e tudo mais.

E em se tratando de loucura (ou pretensa loucura), venho hoje lhes falar do filme Secretária.

Um filme único.
Por sua estética B com um pé em Hollywood, por seu roteiro perturbador e apaixonante, pela linha tênue que divide o filme entre o agressivo e o delicado...

Todos os créditos aqui acabam ficando com Maggie Gyllenhaal, uma atriz soberba que esbanja charme e talento.
Ela faz o papel de Lee Holloway, uma jovem que acaba de ter alta de um sanatório e tenta se re-estabelecer na sociedade e acaba se empregando como secretária de um advogado excêntrico.

E tudo se resume em como você enxerga a sua vida, a sociedade e tudo em sua volta...
O quanto o mundo te machuca!
E machuca muito, cara!
Muito!

Este filme, Secretária, de 2002, originalmente Secretary, dirigido por
Steven Shainberg é maravilhoso e está, sem dúvida, no meu top ten de filmes mais fodas...
Mas este filme é só pra ilustrar um pouco esse momento da minha vida.

Momento em que eu voltei a ler Jack Kerouack.
On The Road é o livro da minha vida com certeza! Deve ser a milésima vez que leio este livro e ele ainda é encantador, enigmático e desperta sentimentos malucos em qualquer um.

Eu ando pela cidade (seja que cidade for)...ando pelo centro da cidade e vejo todas essas pessoas andando...umas apressadas, outras meio perdidas...
E sonho em ser todas elas.
Vejo dezenas de garotas, mulheres, lindas e fico imaginando no que elas estão pensando naquele momento...porque estão tão apressadas, tão pensativas, tão cabisbaixas...
Queria tanto entrar nesse mundo e dividir tudo com essas mulheres!

Vejo toda a loucura da cidade.
E o que me fascina é o movimento. São as pessoas que passam achando que estão ali despercebidas na multidão...mas eu estou ali observando enquanto tomo um café na esquina.

E é triste porque tu se dá conta que muitas vezes queria ser qualquer uma dessas pessoas desconhecidas...
Às vezes eu olho e queria ser aquele cara apressado, ou o maluco, ou o guarda de trânsito...queria ser qualquer um....
Só não queria ser eu mesmo.

Me pergunto de novo e de novo porque todas as garotas que eu conheço não se interessam por mim de verdade...é sempre vazio.
Não vazio.
Mas todo mundo acaba querendo ser amiguinho...mas ninguém quer se envolver...
Sempre acaba escolhendo o cara logo ao lado de mim.
Como se disesse "Olha, você é legal, mas eu estou com esse outro cara..."

Merda, cara!

Enfim, isso está se estendendo muito e não vai chegar a lugar nenhum.

Torçam para que o bom humor e o otimismo voltem no próximo post.


Passarinho, que som é esse?


A EXTRAVAGANTE SAGA DE TCHAMBIE EM BUSCA DE UMA MALDITA CANECA DE CAFÉ DECENTE - Senador Medinha

Logo que a banda Vídeo Hits foi pro vinagre, seu vocalista, Diego Medina, embarcou num projeto solo. Segundo ele, um desejo antigo, gravar uma ópera-rock. Mas nada muito conceitual como Hair, ou Tommy. Uma ópera-rock muito leve, quase uma fábula infantil.

Para colocar isso em prática, Diego Medina usou o pseudônimo Senador Medinha, convocou Quico, um amigo e integrante d'Os Massa e ficou de março a junho de 2002 gravando e mixando a obra.

O resultado disso tudo foram 20 faixas que contam a história do pequeno Tchambie, que, ao perder acidentalmente uma caneca que ele herdou de seu avô, percorre os mais inusitados lugares ao lado de seu inseparável amigo Wambous tentando achar outra caneca.

O humor de Diego Medina é incrivelmente autêntico, recheado de referências a desenhos animados, ele vai narrando a história com muito bom humor e originalidade enquanto vão tocando as músicas que vão da insanidade dos Fantômas à doçura do Teenage Fanclub.

Para baixar essa beleza procure no site http://www.diegomedina.com/


Esse disco é para quem gosta de:
Desenhos animados com humor negro, cores vibrantes, Super Furry Animals, sorvete de creme, Monty Phyton, roupas confortáveis, doces e balas, café forte e luagres espaçosos.


Aperta o play, Macaco - 21st Century Breakdown - Green Day

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Valeu!!

É raro, mas atualmente ando bem otimista.
Não sei bem explicar o porquê, só sei que tenho olhado para muitos aspectos da minha vida e percebido que valeu a pena até agora.

Olhar para trás para ver quanto vale a vida, quanto vale a pena...quanto vale e quanto dói.

Recentemente peguei algumas fotos antigas para scanear e colocar no meu perfil do orkut.
Foi bem legal.
A cada foto lembrei de histórias, acontecimentos...até mesmo escolhas que tive que fazer...

Quando eu falo de valer a pena, é disso que eu estou falando. Tu perceber que o quanto se dedicou e amou alguém, ou a dedicação, ou descaso, às coisas que fez e não fez...tudo isso aparece com o tempo.
Perceber esses reflexos...

Semana passada estive em São Paulo e, como sempre faço, dei minhas caminhadas pelo centro velho da cidade, na , na Liberdade...andando, pensava nisso tudo. Pensei muito nos meus relacionamentos amorosos. O quanto aprendi, o quanto me machuquei...o quanto fui feliz.
Deixei de lado o rancor para sentir de novo, nem que seja um pouquinho só, o sabor que senti quando estive com a Hortência, por exemplo. Como foi bom. Como aprendi com ela. E o como aprendi ainda mais quando ela me deixou.
Pensei em outras garotas por quem já me apaixonei, por quem ainda sou
apaixonado...

Aí, quando o desamparo e a solidão começam a despontar, aparecem alguns recados de amigos e amigas de sempre, simplesmente dizendo que estão com saudades e coisas assim.

Para completar, ainda fico sabendo que este meu blog, tão pequeno e indefeso, figura numa seleta lista feita pela Mari Diamond, do excelente blog O Papel Acobreado (link ao lado), onde ela seleciona os blogs que ela mais gosta!
Uma honra receber este tipo homenagem, já que este blog é tão pessoal...praticamente eu dando opiniões sobre coisas que ninguém me perguntou.

Para linkar isso tudo, ontem fui ao cinema assistir Toy Story 3 e sai de lá maravilhado!
Conseguiu superar TODAS as minhas expectativas e ainda ter uma conexão com muito do que eu ando sentindo atualmente.
Ah, a boa velha experiência do cinema.

Toy Story 3 traz para a tela uma história maravilhosa que começou no primeiro filme da trilogia. Uma história que consegue tocar crianças e adultos.
Este terceiro filme é, disparado, o melhor.
O roteiro é perfeito, recheado de cenas engraçadas, eletrizantes e cheias de ação e, como não pode deixar de ser, cenas super emocionantes.

É um filme que fala de forma direta, mas sem soar piegas, de temas como amizade, dedicação, lealdade, amor, abandono...

Sendo este Toy Story 3 o desfecho da trilogia (e espero que realmente seja), a saga de Woody e Buzz Lightyear é encerrada de forma pefeita e emocionante. Mostrando que, mesmo entre erros e acertos, a vida sempre continua em frente.
E que vale a pena passar por tudo isso.

No fim das contas, eu queria mesmo era vir até aqui escrever um grande...

MUITO OBRIGADO!

Muito obrigado a todos que de forma direta ou indireta, interagem comigo, me encorajam, me criticam, me elogiam, me aconselham...
Velhos amigos, novos amigos (que parecem velhos, tamanha a empatia), pessoas que nem me conhecem pessoalmente, pessoas que me conhecem demais...
Pessoas que passam por este blog para ler por qualquer que seja o motivo, se distrair um pouco do trabalho, buscar conforto, dar risada...

Mesmo...muito obrigado!


Passarinho, que som é esse?
Passarinho, que som é esse?

Shadows - Teenage Fanclub


Após longos cinco anos de espera, saiu em maio deste ano mais um disco de inéditas da banda escocesa Teenage Fanclub!

E daí?
E daí que estou falando de uma das bandas mais respeitadas, mais talentosas e mais apaixonantes dos últimos trinta anos.
O Teenage Fanclub , desde seu primeiro disco, A Catholic Education, apresenta composições encharcadas no folk-rock dos Byrds e Big Star, nas doces melodias dos Beach Boys e nas letras inteligentes e simples de gente como Neil Young e Paul McCartney.

Com essa bagagem toda, o Teenage lançou em 1991 Bandwagonesque, um dos dez discos mais importantes da década de noventa.
Em resumo, desde 1989, o Teenage Fanclub tem feito música de qualidade muito acima da média.

Com este disco, Shadows, não é diferente. Trata-se de um disco saborosíssimo, com ótimas melodias, um instrumental cuidadoso...tudo que se espera de um disco do Teenage Fanclub está lá.
Há quem diga que desde a recepção morna de Man Made, o último disco da banda, lançado em 2005, o Teenage estaria perdendo as forças criativas, que os integrantes, todos quarentões, casados e etc, estariam de saco cheio de compor e tocar boas canções...

Tudo besteira!

Claro que Shadows não é um disco memorável, um clássico, como Bandwagonesque, ou que tem o sabor novidadeiro de A Catholic Education ou Thirteen.
É um disco despretensioso. Fica claro que a intenção aqui não é virar hype, angariar novos fãs, agradar críticos, nem nada disso.
É um disco saboroso porque é verdadeiro.
Ouça as canções e perceba que não há nada além de quatro caras, possivelmente grandes amigos, que se divertem compondo e tocando.

Esse frescor todo fica evidente em músicas como Baby Lee, Shock and Awe e The Back Of My Mind. Músicas com melodias agradabilíssimas!
Também há um quê levemente retrô na sonoridade do disco que dá mais corpo às canções, principalmente às baladas. O piano melancólico de Dark Clouds chega a lembrar Belle and Sebastian, mas vai além com as belas Sweet Days Waiting e The Fall.

Enfim, um disco que mistura tudo que é necessário para ser feliz ouvindo música.
Belas melodias, harmonia, talento...e tudo isso feito com muito amor no coração!

Pode ir baixar sem medo!

Este disco é para quem gosta de:
Blusa de flanela, casa com jardim, café com açúcar, The Byrds, falar pouco ao telefone, clima frio, cervejas brown ale, Neil Young, sorrir para a mulher amada.

Aperta o play, Macaco! - Maybe I’m Amazed - Paul McCartney





quarta-feira, 9 de junho de 2010

Tudo e um pouco mais.

Estou tão animado com este post que nem sei direito por onde começar.

Vou seguir o que está se tornando um padrão neste blog: Falar algumas paradas da minha modesta existência em paralelo com um filme.
Mas desta vez é diferente porque não foi o caso de eu assistir o filme e pirar e pensar na minha vida.
Acontece que eu pensei em vários aspectos da minha vida e associei a um filme.

Isso tudo depois de uma conversa dessas que a gente tem poucas vezes na vida. Dessas que tu não acredita que pode falar tanta coisa, ser tão pessoal...e ser correspondido, compreendido. E tu se empolga e fala, fala, e vai embora com coisas ainda por dizer. Coisas entaladas na garganta.

Das coisas ditas tu se dá conta de como falou coisas que beiram o patético por serem tão simples. E se sente feliz por dizê-las.
É como dizer frases do tipo "Idiota é quem faz idiotices." Tu querendo dizer, Hey, não diga que tu é assim ou assado, porque tu não age como tal. Tu simplesmente tem medo, tem uma tolerância e etc.

Por aí, já deu pra sacar que eu vou falar de Forrest Gump.
Robert Zemeckis de novo? Pode perguntar o intrépido leitor.
Pois é. Que culpa tenho eu desse puto fazer tantos filmes tocantes ao ponto de tu se identificar e ficar com eles na memória?

Forrest Gump é um cara que viveu. Independente do mundo, das pessoas...
Um egoísta?
Não. Um cara que viveu como achou que deveria viver. Se incluindo (ou não) como achava adequado na sociedade.
E falava com as pessoas, colocando seus pontos de vista, como a vida era, como a vida dele era...

E, meu deus, que filme memorável, irretocável...
Porque a vida é assim. Acostume-se.
Mas viva da melhor forma possível para você!

Tom Hanks está um absurdo atuando neste filme.
Se não ganhasse o Oscar, todos na Academia mereceriam a morte imediata.
Com certeza Forrest é um dos personagens mais marcantes da história do cinema.

Porque isso tudo faz sentido pra mim?

Porque eu saí por aí dizendo uma porção de coisas.
Coisas do tipo "Idiota é quem faz idiotices.".
E isso valeu para mim. Talvez mais para mim do que para quem tenha me ouvido dizer.
Sabe aquele sentimento de ouvir uma música que tu escreveu há um tempo atrás e perceber que aquela canção era você dizendo para si mesmo alguma coisa relevante?
(Tem pelo menos um dos poucos leitores deste blog que eu sei que vai dizer que "sim".

Porque a gente começa reclamando de tudo e achando tudo uma merda.
A sociedade é injusta, a humanidade é podre...
E de repente estamos todos querendo simplesmente ser amados, mas morrendo de medo disso. É tão contraditório que chega a ser poético.
O difícil não é encontrar o amor, o difícil é aceitá-lo com seus prós e contras.
Correr o risco de viver por alguma coisa.
Acreditar.

Eu me sinto Forrest Gump porque estou nessa onda.
Ainda mais agora.
Porque estou fazendo uma coisa, outra...vários projetos, sem saber o que vai acontecer. Mas sabendo que o lance é seguir em frente.
Porque SIM.
E, mesmo sem saber direito o que é isso, querendo um amor.
Um amor.

Cara, isso me soa poesia pura.
Geralmente eu levo um tempão para escrever um post. E agora me faltam palavras.

Idiota é quem faz idiotices!

Pense nisso enquanto eu vou no banheiro!














Passarinho, que som é esse?


Carteira Nacional de Apaixonado - Frank Jorge


Comece sabendo que Frank Jorge é mestre!
Um dos pilares fundamentais do rock gaúcho!
Fez parte dos Cascavelelletes, Graforréia Xilarmônica, Cowboys Espirituais...e ainda assim lançou alguns discos solos perfeitos.
Este Carteira Nacional de Apaixonado foi o primeiro deles.

Neste primeiro disco, lançado em 2000 pela Barulhinho Discos, Frank jogou no liquidificador todas as suas influências e concluiu que boa parte dela vinha da Jovem Guarda, e bebeu nessa fonte, mas sem perder o espírito psicodélico, folk e tudo mais que envolve sua obra em diversas bandas em que participou.

O começo já dá a dica. Vou Largar A Jovem Guarda. A simplicidade emociona. "Vou ouvir mais conselhos para enriquecer/Vou seguir novas regras, melhor conviver".
E por aí segue o disco.
Como se fosse um tipo de confessionário...de coisas feitas, de esperanças, de medos, de opiniões sobre as pessoas...

Aprendi nessa vida de várias maneiras que menos é mais. Que o complicado é ser simples.
E Frank Jorge emana simplicidade de forma impressionante.

Na canção Sensores Unilaterias está a belíssima frase "Tudo que eu sonhar espero concretizar com o tempo/O que já foi passou/Com você só penso na estrada/E nada mais".
OLHA ISSO!!!
Vou repetir: "Tudo que eu sonhar espero concretizar com o tempo/O que já foi passou/Com você só penso na estrada/E nada mais".

Eu podia acabar essa resenha aqui.

Mas vou além porque o disco ainda tem canções como Prendedor, Homem de Neanderthal (re-gravada pelo Ira!), Não Recebo em Dólar e a sensacional Cabelos Cor de Jambo onde encontramos a pérola: "Um pouco de talento não faz mal a ninguém/Yeah yeah yeah/Pra se confirmar na vida tem que ter muito amor/E mesmo assim eu vejo, estou longe de você".

Chega!
Cara, pára tudo e vá ouvir esse disco AGORA!


Este disco é para quem gosta de:
Ver significados em canções diversas, ficar em dúvida, se apaixonar, rock de qualidade, Coca-Cola com baunilha, falar por horas, pessoas.

Aperta o play, Macaco: Falling Slowly - Glen Hansard

quarta-feira, 19 de maio de 2010

De fé.

Você se considera uma pessoa de fé?
Fé em quê?
Por quê será que quando falamos sobre fé, sempre levamos a questão para o lado religioso?
Há muito mais além do que se vê.

Por uma questão ética, fui até a locadora alugar Avatar para assistir e, assim, poder dar opiniões com fundamento.
Sabendo de antemão que possivelmente não iria gostar do filme, baseado em inúmeras resenhas internet afora e opiniões de amigos, resolvi alugar outro filme para assistir em seguida.

Minha escolha foi Contato, de Robert Zemeckis.

Bom, pra começar: Avatar.
James Cameron nunca foi dos meus diretores favoritos. Não sou grande fã da franquia Exterminador do Futuro apesar de gostar muito do II). Titanic não me impressionou nem um pouco (pra não dizer que achei chato) e por aí vai.

Admito que visualmente o filme é formidável. Em 3D na sala de cinema deve ser ainda mais impactante.
Mas eu sempre deixei claro que o que me faz vibrar e amar o cinema são as histórias. Se a história é boa, não me importo se há falhas de efeitos especiais ou algo do gênero. Isso fica em segundo plano.

O que Cameron fez foi deixar o roteiro em segundo plano.
E isso eu não admito.
Nos primeiros vinte minutos do filme, já estava adivinhando o final.
Como acabei realmente adivinhando o final, terminei o filme decepcionado.

Ora bolas, de que adianta tanto efeito especial, tanto impacto visual para contar uma história óbvia e contada inúmeras vezes no cinema e na literatura?
Me deu até medo de assistir Alice No País das Maravilhas...
Será que essa mania de 3D e mega efeitos vai acabar matando as boas histórias no cinema?

Bem. Depois dessa experiência, coloquei Contato no DVD.
E aí sim a experiência foi outra.
Como diria Maurício Saldanha (do excelente podcast Rapaduracast), aí sim, bem-vindos ao mundo espetacular do cinema.

O diretor de De Volta Para O Futuro e Forrest Gump traz uma história encantadora do mestre Carl Sagan! Jodie Foster está impressionante no papel de Ellie, uma cientista cética que busca vida no espaço sideral.

O que mais me encantou no filme ao revê-lo foi que, ao primeiro momento o espectator pensa tratar-se de um filme sobre extraterrestres "I want to believe" e coisas do gênero.
Quando na realidade o grande mote do filme é a fé. Não só a fé num deus, mas a fé no que cada um acredita ser certo.

O filme me fez pensar muito.
Sobre o que eu acredito, o que eu faço para manter viva minha fé em mim mesmo, na música que eu faço...enfim, a fé na minha vida.

Espero realmente que todo mundo um dia possa passar por essa experiência de questionamento e de crença. Uma afirmação de sua própria fé. Que seja em deus. Que seja na música. Que seja no que for que faça sentido na vida de cada um.

Assistir Contato me aliviou muito de algumas coisas que andavam rondando minha cabeça. Profissionalmente falando e pessoalmente falando também.
Percebo que estou no caminho certo. Que talvez me saia melhor do que imagino na publicidade (não só na faculdad em si).

Muita coisa falta para eu me tornar uma pessoa melhor. Isso é fato.
Ainda sou inseguro e imaturo.
Mas vislumbro um caminho a seguir.
Percebi que tenho mais fé do que imaginei.

Portanto, leitor ou leitora.
Pare agora de ler e vá assistir este belo filme de Robert Zemeckis.
Depois volte aqui para acabar de ler o post e comentar, ok.










































Tudo bem.
Se tu preferir, acabe de ler e comente. E assista o filme outra hora.


Passarinho, que som é esse?


Wonkavision - Wonkavision

A banda Wonkavision é, para mim, um dos maiores expoentes da música gaúcha contemporânea. Com uma proposta musical clara e uma proposta artística original e instigante.

É uma banda de rock.
Um delicioso power pop que mistura Weezer, Pavement e o que há de melhor no indie rock e power pop.
Após duas demos de grande êxito no sul do país, a banda ganhou um festival e conseguiu como prêmio a gravação de seu primeiro disco.

Com a produção cuidadosa de John Ulhoa (sim, aquele do Pato Fu), saiu em 2004 o disco homônimo (que ganhou re-edição em 2006). Lançado inicialmente pela Orbeat, selo gaúcho da RBS, o disco não emplacou nacionalmente nem trouxe grande êxito comercial, mas catapultou a banda para o cenário independente nacional. Em 2005 a banda rescindiu seu contrato com a Orbeat e re-lançou o disco de forma independente em 2006.

Mas falemos de música.

A formação permitiu uma excelente opção de variações para a banda fugir de certos clichês do gênero a que está ligada.
Com Will na guitarra e voz, Manu nos teclados e voz, Kiko na bateria e Grazi no baixo e voz, a banda traça harmonias doces e fortes nos vocais sobre uma parede saturada de guitarras e uma cozinha coesa segurando a onda enquanto intervenções de moog dão um clima retrô-psicodélico às músicas.

A temática da banda é interessante. Em um dos releases, eles afirmam que a idéia é de contrastar canções saborosas, melodias assobiáveis com letras pessimistas e auto-críticas.

A canção que abre o disco retrata bem isso O Plano Mudou tem uma letra soturna: "Vou tomar veneno puro, me enforcar num quarto escuro..." Barra pesada. Mas a melodia é deliciosa. Quando tu acha que tudo está muito confuso vem a doce voz de Grazi dizendo: "Eu vou sim, seguir o que meu coração sentir"!

Tem ainda Comprimidos, uma de minhas favoritas. A música é um agradável power pop chicletudo e a letra fala sobre anti-depressivos.
Coisa de gênio!

Mas também tem as belas canções de amor, não menos recheadas de guitarras ganchudas, mas com as doces harmonias vocais de Grazi e Manu como em Nanana, Aquele Alguém e Tente Por Mim.

Também há temas mais inusitados como a instigante Brinquedos, com refrão em francês e uma referência clara a um menage a trois.

É um disco sensacional.
Não dá pra cansar de ouvir. Cabe em qualquer momento. Desde uma festa badalada até uma tarde relaxante em casa.

Recomendadíssimo!


Este disco é para quem gosta de:
Fazer bola de chiclete, Roupa colorida, Weezer, All Star vermelho, dirigir ouvindo música, faculdade de comunicação, guitarras Les Paul, namorar.



Aperta o play, Macaco! - Quando 16 - Wonkavision

quinta-feira, 13 de maio de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

Recapitulando

Rapidamente quero só atualizar alguns assuntos tratados recentemente aqui neste blog.

Em primeiro lugar agradeço a todos que se manifestaram a respeito da morte da pequena Lucy.
Muito legal da parte de vocês.
Muito obrigado.

Segue aqui uma foto da nova Lucy.


Também falei alguns posts atras sobre a banda gaúcha Beselhos, dos meus bons amigos Diego, Daniel e Diego, bateria, baixo e voz e guitarra e voz respectivamente.

O Diego Altieri, baterista, me escreveu falando sobre o post onde comentei a saborosa demo tape Turnê Na Terra. Ele me enviou inclusive a capa da mesma para a apreciação de vocês.
A capa é de autoria de Rogério Salaberry, outro companheirão de Porto Alegre.

A banda está parada desde 2007 quando o guitarrista Diego Grando foi para a França fazer doutorado e o Daniel, baixista, se casou e reside em Caxias do Sul, restanto assim somente o Diego Altieri em Porto Alegre.

No final de 2006 a banda lançou de forma independente seu primeiro e único disco, Ovreca.
Um grande disco de rock n' roll que merecia mais atenção do que teve, mesmo tendo sido citado em sites como o Senhor F.
Interessados podem ouvir o disco no myspace da banda.
http://www.myspace.com/beselhos

De mais a mais, fico por aqui, na angustiante expectativa do próximo episódio de Lost que só sai semana que vem.



Passarinho, que som é esse?



Chutes Too Narrow - The Shins


Eis aqui mais uma banda que nunca recebeu muita atenção.
Injustamente, claro.

The Shins é uma banda que saiu do sul dos Estados Unidos no fim dos anos noventa fazendo um som pop de lirismo ímpar e melodias assobiaveis.
Lançaram seu primeiro disco em 2001 entitulado Oh, Inverted World.

Curiosidade: A banda faz parte do cast do legendário selo Sub Pop, responsável pelos discos fundamentais do grunge vindo de Seattle.
Mas isso não quer dizer nada sobre o som da banda, que nada tem de guitarras sujonas e letras resmungonas.

Chutes Too Narrow foi lançado em 2003 e é o segundo disco dos Shins.
Trata-se de um disco simples, direto, curto e muito, mas muito, agradável de se ouvir.

James Russell Mercer, o principal compositor da banda, que também é o guitarrista e vocalista, tem um talento especial para melodias intrincadas, porém extremamente assobiáveis.
Bebendo da fonte de Teenage Fanclub, Lovin' Spoonful e Belle and Sebastian, Os Shins trazem neste disco dez canções memoráveis.

Destaco aqui a belíssima balada Pink Bullets, com uma melodia triste, mas muito intensa, levada somente ao violão.
Temos um rock n' roll com uma pegada alt-country com o nome Turn A Square, e outras delícias como Kissing The Lipless, Gone For Good e Those To Come.
Mas minha favorita se chama Young Pilgrams.
Sinceramente não sei como descrever esta canção. Tem uma melodia meio torta, mas muito agradável, com mudanças rápidas de acorde, mas uma levada suave.
Uma composição sensacional.

É um disco que vale a pena ser ouvido.

Vai lá procurar pra baixar.


Este disco é para quem gosta de:
Power pop, camiseta sem estampa, dias nublados, folk-pop-rock, óculos á la Buddy Holy, The Animals, namorar.


Aperta o play, Macaco! - Light Years - Pearl Jam

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Não sei por onde começar hoje.

Ok, imagine a cena:
Sábado, começo da noite. O cara sai para tomar uma cerveja com os amigos.
Esse cara tem uma cachorrinha em casa que ele gosta muito.

Bem, o cara chega no bar. Toma um copo, dois...passam-se uns quarenta minutos.
Toca o celular. A voz materna diz que a cachorrinha escapuliu pra r
ua e foi atropelada.
O cara larga tudo e vai pra casa.
Na avenida, em frente a sua casa, tem uma poça enorme de sangue.
Na sarjeta está a mãe e a irmã do cara.
E uma cachorrinha sem vida.


Não dá pra deixar o corpo da cachorrinha ali. O que fazer?
Vamos enterrá-la, a mãe diz.
O cara concorda.
Ao embrulhar o corpo sem vida nums saco plástico para colocar no porta-malas do carro, constata-se dolorasamente a causa da morte. O pescoço foi quebrado.
Tomara que ela não tenha sentido dor.

Levam a cachorrinha até o antigo sítio.
O cara pega uma enxada e ele mesmo enterra ali o corpo da cachorrinha.


Aquele sábado acabou por volta de oito e meia da noite.

Imaginou?
Bem, esse foi o meu sábado.

A Lucy era uma cachorrinha sensacional. Nunca vi mais esperta. Parecia que realmente entendia quando falávamos com ela.
Aqui do lado do computador tem o sofá onde ela sempre deitava e ficava aqui comigo enquanto eu ouvia podcasts, escrevia e etc...

No dia seguinte, domingo, entendi o que a morte dela significou pro pessoal em casa.

Minha mãe me acordou no domingo já dizendo que viu no jornal uma ONG que recolhe, cuida e doa cães e gatos abandonados e perdidos chamada Anima!. Depois do almoço ela já me convenceu a ir até a casa de uma das voluntárias. No fim da tarde já estávamos com outra cachorra em casa.

Eu, particularmente, queria dar um tempo antes de ter outro cão.
Mas percebi que a Lucy fazia muita companhia para a minha mãe. Por isso acabei concordando.
Inclusive, minha mãe resolveu chamar a nova cachorrinha de Lucy também.
Não era bem o que eu esperava, mas também acabei concordando com isso.

E a nova Lucy é muito bacana. Já tem um ano, um ano e meio e é muito bonita. Provavelmente é mestiça (pra não dizer vira-lata), mas, não só eu como a veterinária, desconfiamos que ela é uma Schnauzer. Só não dá pra saber com certeza porque ela está com o pelo curto, foi tosada recentemente. Mas ela tem sombrancelhas e bigodes grandes, é cinza...se não for 100% Schnauzer, com certeza a mãe ou o pai é.


Enfim, segue a vida.

Mas é triste.
A boa e velha Lucy morreu cedo, tinha só cinco anos. E deixa muita saudade. Vai ser difícil se acostumar a certas coisas que só ela fazia. Até mesmo travessuras como subir na mesa e pegar pedaços de queijo, ou ficar perturbando todo mundo que aparecia aqui em casa.

De qualquer forma, acreditro que ela e a nova Lucy se dariam muito bem.
No fim da contas batizar essa nova cachorrinha de Lucy me soa como uma bela homenagem por parte da minha mãe para uma cadelinha que foi super companheira, carinhosa e que deixou um buraco no coração de todo mundo aqui em casa.


Passarinho, que som é esse?



Os The Darma Lóvers - Os The Darma Lóvers


Este disco é uma das pérolas escondidas do rock gaúcho, que no início da década 00 foi extremamente fértil.

Os The Darma Lóvers começaram como uma dupla, Nenung e Yang Zan, praticantes da meditação e do budismo que decidiram transformar em canções tudo que vivenciavam neste meio.

Independente de você se interessar e/ou acreditar em Buda, vale a pena ouvir este que foi o disco de estréia da banda.

O disco Os The Darma Lóvers é de 2000 e foi produzido por ninguém menos que Frank Jorge, uma das personalidades fundamentias do rock gaúcho e da música independente do país. E isso já diz muito sobre o disco.

As músicas são basicamente voz e violão. Há algumas incursões de baixo e guitarra, mas o que predomina é um lance dylanesco.
Sim, a base das canções é o folk, com pitadas de psicodelia e pop.

O carro-chefe do disco foi a canção Seres Extranhos, que chegou a ser hit no sul do país, com um violão vigoroso e uma saborosa gaita.
Realmente essa canção define bem o estilo da banda.
Mas vai muito além.
Nenung é um compositor de mão cheia e mostra neste disco melodias simples, porém maravilhosas.
Minha favorita é Três Coroas, uma balada falando de vários lugars no mundo e que acaba sempre em Três Coroas, cidade gaúcha onde encontra-se um dos principais mosteiros budistas do país.

Mas, claro, o disco todo é recheado de canções saborosas. E também vale dizer que apesar de ser basicamente um disco com letras falando de temas e mensagens budistas e sobre meditação, não soa nem um pouco cansativo. São letras bonitas, às vezes até bem humoradas.

É um disco na medida. Dá pra parar pra refletir e também dá pra ouvir só pra passar o tempo curtindo um som agradável.

Super recomendado!

Pra variar, é um disco que não deve ser bolinho de achar.
Interessados podem entrar em contato comigo ou então visitar o blog da banda, onde dá pra ouvir músicas, ver fotos, conferir textos, entrar em contato com a banda e tudo mais, além, é claro, de comprar os discos. Vai lá!
http://www.darmalovers.com/



Este disco é para quem gosta de:
Pensar na vida, Bob Dylan, incenso, batas indianas, arroz integral, fogueira e violão, andar pelado em casa, mascar gengibre.



Aperta o play, Macaco! - Signal Dire - Snow Patrol