quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Catarse


Quando eu era adolescente, às vésperas de prestar o vestibular, pensei muito em fazer cinema. Mas desisiti da ideia porque não me achava digno para tal. Por não conhecer de fato o tema. Não tinha assistido filmes clássicos como Casablanca e Cidadão Kane até então. Sentia que estava me deixando levar pelas influências na época. Já tinha lido umas três vezes On The Road do Kerouac e admirava muito Jim Morrison, que carregava muito da cultura beat de Kerouac em seu DNA  e havia cursado cinema antes de entrar para os Doors.

Acabei indo pro jornalismo, que abandonei dois anos depois. Mas o cinema continuou uma paixão. Acho que só agora o compreendo de verdade. Não sei se teria me dado bem no curso de cinema. Talvez meu inconformismo e imediatismo me fizessem abandoná-lo também.

Hoje eu sei que por mais que eu viva, ainda me faltam filmes clássicos para assistir e me encantar. Para o resto da vida assistirei filmes de trinta, quarenta anos atrás e vou me espantar com sua beleza, impacto e carga artística e emocional.

Há menos de quinze minutos desliguei a TV e corri para escrever, tamanho o impacto do filme que acabei de ver me causou. Um filme de 1967, ganhador de Oscar e tudo mais. Um filme que eu sempre soube da existência, mas nunca tinha parado pra assistir.

Estou falando do The Graduate, A Primeira Noite de Um Homem em português. Com um jovem Dustin Hoffman como protagonista e música de Simon and Garfunkel.


Um filme clássico! Espantoso pela sua carga dramática! Um filme sobre amor e juventude. Um filme questionador e eletrizante, não por ser cheio de cenas de ação, mas por ser tão denso que prende a atenção e te deixa grudado na tela a cada segundo!

Tecnicamente, não há muito o que dizer sobre o filme. É uma direção precisa de Mike Nichols que lhe rendeu o Oscar de melhor diretor, um roteiro apaixonante, atuações excepcionais de Dustin Hoffman, Anne Bancroft, Katerine Ross e todo o resto do elenco, uma montagem super bem feita, fotografia esperta...tudo no filme funciona!

O longa conta a história de um rapaz recém formado, perturbado com seu futuro e inexperiência, que se envolve com uma mulher mais velha, esposa do sócio de seu pai. E acaba se apaixonando pela filha do casal.

Tudo isso embalado por músicas que se tornaram standards da música pop como The Sound Of Silence e Mrs Robinson de Simon and Garfunkel.

Acabei de assistir o filme e fiquei impressionado. Fui arrebatado pelo amor urgente que o filme retrata. Me identifiquei com um jovem que não sabe o que fazer do seu futuro, mas sabe que precisa viver para descobrir! Reafirmei para mim mesmo o amor que sinto e a certeza de estar com a pessoa certa, a única que me completa e me faz feliz.

Acabei de assistir o filme com a alma lavada! Certo de que o cinema para sempre vai me encantar e me mostrar que eu estou no caminho certo.

Passarinho, que som é esse?

Coco - Colbie Caillat

Colbie Caillat é tida como o Jack Johnson de saias, fazendo um som agradável, com ótimas melodias e uma doce suavidade. Eu acho que ela vai um pouco além dessa simplória descrição. É o que podemos perceber neste Coco, primeiro disco da cantora, lançado em 2007.

O primeiro ponto a se destacar é que Colbie assina todas as faixas, ainda que em parceria com outros compositores. É o tipo de envolvimento com a obra que fica evidente na interpretação. Trazendo ao álbum uma verdade, um feeling nas canções que fica evidente.

A produção do disco é assinada por Mikal Blue, Ken Caillat, Colbie Caillat Jason Reeves. Detalhe: Ken Caillat, o pai da cantora, já produziu discos de bandas como Fleetwood Mac, que certamente ajudaram na (excelente) formação musical dela. A produção é super clean, deixando o disco orgânico e suave, permitindo que as melodias brilhem por conta própria.

Destaco aqui as belíssimas Midnight Bottle, Magic e Capri. As levadas deliciosas de The Little Things, Tailor Made e Tied Down parecem te abraçar e te trazer para uma tranquila praia ensolarada, sendo impossível não sorrir ao ouvir. O disco foi impulsionado pelos hits Bubbly e Realize, duas excelentes canções.

Enfim, é um disco ensolarado por natureza. E esse é o seu grande diferencial! Traz ao ouvinte uma calma e alegria difícil de se encontrar na música hoje em dia.

Então, vá atrás!
Aperte o play e se permita sorrir.

Este disco é para quem gosta de:
Comédias românticas, tardes de sábado, água de coco, Alanis Morissette, andar de mãos dadas, roda de amigos, andar na praia, John Mayer, dormir até tarde, cantar no chuveiro.


Aperta o play, Macaco! - Humano Demais - Engenheiros do Hawaii



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Can you fell it?


Algumas das grandes questões da humanidade dizem respeito ao amor.
O que é o amor? Como mensurá-lo?
Poetas, músicos e escritores já divagaram muito sobre este assunto.

Na modesta opinião deste que vos escreve, quem chegou mais perto da resposta foi Vinícius de Moraes, que escreveu que "Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor." E escreveu também que o amor deve ser infinito enquanto dure, posto que é chama.

Acho isso tudo muito bonito. Mas acredito que a verdadeira beleza do amor é seu espírito livre e incompreensível. Sedutor e devastador de corações.
O amor existe para que a gente o sinta e não para que o entenda.

Não importa que referência você busque para demonstrar, conquistar, construir, manter e solidificar o amor.

O importante é sentí-lo.

Imagine um casal apaixonado. Mãos dadas em passeios ao sol. Sorrisos, carícias. Toda uma aura de delicadeza e ternura.

Como você imaginou esse casal?
Possivelmente, você imaginou um casal jovem, por volta dos vinte anos, certo?

Pois o cinema nos trouxe uma nova experiência. Principalmente para quem tem menos de quarenta, cinquenta anos. Poder vibrar, sorrir, chorar, torcer e se emocionar com um casal beirando a terceira idade.

Ainda está em cartaz em alguns cinemas Hope Springs, Um Divã Para Dois aqui no Brasil. Um belíssimo filme que mescla romance, comédia e drama protagonizado por Tommy Lee Jones e Meryl Streep.



O plote do filme parece rotineiro e pouco convidativo. Um casal de meia idade que procura um psicólogo para conseguir recuperar o romantismo de outrora ao casamento.

Os temas abordados como sexualidade após os cinquenta anos e a rotina da vida de casado, principalmente após os filhos crescerem e deixarem a casa dos pais são conduzidos de forma delicada, sem exageros no humor ou no drama.

A química entre Meryl Streep e Tommy Lee Jones é fantástica. Acabam eclipsando todo o resto do elenco que inclui Steve Carrell como o terapeuta do casal.

É nos personagens que encontramos o grande trunfo do filme. A inquietude que Streep e Lee Jones passam é constante. Não há brigas nem traições. Só há um desconforto geral que é passado ao espectador de forma muito eficiente pelos atores.

A fotografia e montagem deixam isso mais claro em ótimos planos fechados, detalhes como a distância que um mantém do outro. A escolha de locações também foi muito cuidadosa e permitiu uma fotografia belíssima em boa parte do filme.

O roteiro todo focado nos personagens e sua psiqué também é de se aplaudir. A história pode até ser um pouco óbvia, você até imagina como tudo vai acabar. Mas o caminho até chegar a este final é saborosíssimo e recheado de pequenas surpresas, risos, emoções e tensões.

O diretor não podia ser melhor. David Frankel sabe como ninguém retratar histórias de amor que misturam rotina no relacionamento tendo dirigido Marley e Eu e alguns episódios da série de TV Sex and The City. Também tem o poder de dar asas a grandes atores como fez com a própria Meryl Streep no sensacional O Diabo Veste Prada.

Em resumo, é um filme que fala de amor como ele é.
No final não há grandes explicações. O filme revela que o amor está sempre aí. Basta você perceber e saber sentí-lo à sua maneira.

Filme mais que recomendado!
Vá assistir sem se preocupar em entender.

Apenas sinta!


Passarinho, que som é esse?


The Flaming Lips - Yoshimi Battles The Pink Robots

Eis uma das grandes bandas dos últimos tempos. Formada em 1983 já mudou muito de formação e lançou muito material de alta qualidade! Um  inusitado mix de psicodelia, noise, power pop, folk e pitadas de eletrtônica faz dos Lips uma banda impressionante. Algo como um Radiohead sorridente.

Depois de praticamente vinte anos de lançamentos que faziam a alegria do underground e, já aclamados pela crítica após o fenomenal The Soft Bulletin, Wayne Coyne, Steven Drozd e Michael Ivins, os três multi-instrumentistas, lançam em 2002 esta jóia rara da música pop chamada Yoshimi Battles The Pink Robots.

Um disco conceitual que conta a história de uma garotinha, Yoshimi, que luta contra terríveis robôs cor de rosa que querem destruir o planeta. Misturando video game, filosofia e muito amor no coração, o ouvinte é apresentado a um mundo mágico de riqueza sonora e belas harmonias.

O esmero com a produção, a cargo dos Lips e do produtor Dave Fridmann proporcionam ao ouvinte uma verdadeira viagem psicodélica com ambiências mil, detalhes, barulhinhos e efeitos. Mas o grande mérito fica com as composições belíssimas de Wayne Coyne.

A faixa título é de uma beleza ímpar, melodia açucarada e um arranjo bem executado. Do You Realize? é uma gema pop de primeira grandeza, uma balada forte com violão e belos vocais. Ego Tripping At The Gates of Hell tem uma batida agradável e uma linha de baixo hipnótica com belas harmonias vocais.
Isso só pra destacar algumas. Porque ainda temos a maluquice sonora que representa a luta entre Yoshimi e os robôs na música Yoshimi Battles The Pink Robots Part II e a viajandona All We Have Is Now.

Sem exagero, The Soft Bulletin, lançado em 1999, e este Yoshimi Battles The Pink Robots estão entre os discos mais criativos dos últimos vinte anos.

É discoteca básica!

Vai lá ouvir!


Este disco é para quem gosta de:
Jogos do Master System, vodka com energético, roupas coloridas, ser outsider, Teenage Fanclub, fazer check in no foursquare quando chega em casa, Portishead e sorvete de morango.

Aperta o play, Macaco! - Country Os Brancos - Língua de Trapo.