quinta-feira, 30 de julho de 2009

Inspirando

Como já foi falado neste blog, para mim o grande barato de se fazer qualquer tipo de arte é notar a reação do espectador.

E eu estar aqui escrevendo agora é uma dessas reações.

Acabo de assistir o DVD Immagine In Cornice, que mostra a passagem da banda americana Pearl Jam pela Itália para cinco shows feitos nas cidades de Bolonha, Verona, Milão, Torino e Pistoia em 2006.

Mesclando cenas de bastidores, a banda passeando pelas cidades, passagem de som e etc, com um apanhado do que melhor rolou nos cinco shows, este DVD impressiona.

Impressiona ver uma banda de quase vinte anos ainda soar tão pesada e contundente. Os fãs devotos. O esforço do vocalista para aprender algumas frases em italiano para se comunicar da melhor forma com seu público. A fotografa cuidadosa e de bom gosto...

Ok. Todo mundo sabe que eu sou fã do Pearl Jam.
Mas é inegável a qualidade deste DVD e, por consequência, da banda.

O que mais me emociona vendo o Pearl Jam tocar é o contato com o seu público.
Com a maioria dos integrantes da banda já beirando os quarenta anos de idade, dá gosto ver a entrega de cada um no palco. Sem medo de fazer barulho, McReady e Gossard continuam vigorosos nas guitarras, Matt Cameron não deixa dúvida que é "O" baterista do Pearl Jam (impossível sentir saudade de algum de seus antecessores), Jeff Ament ainda pula feito moleque e Eddie Vedder não economiza o berreiro quando necessário e está cada vez melhor.

Uma vez li em algum lugar que o Pearl Jam passa uma imagem de banda dinossáurica, dessas que tocam há mais de trinta anos, não fazem tantos shows como no início, mas tocam com competência e se divertem com isso.
Acho muito legal essa comparação. Porque quando assisto um DVD como esse, sinto isso mesmo. Caras que gostam de tocar, viajar...já ganharam a grana que tinham que ganhar e agora tocam sem grandes pretensões senão se divertir, entreter e sempre cuidar de seu público, mostrando que são realmente gratos a ele.

Eu não conheço nenhum artista que faz o esforço que Eddie Vedder faz para se comunicar com seu público.
Quando o vi em 2005 falando frases e mais frases em português naquela mágica noite de dezembro no Pacaembu, fiquei realmente honrado em ver que o cara aprendeu a falar a minha língua...
Neste DVD podemos ver Eddie Vedder com uma intérprete treinando suas frases dizendo em inglês o que quer dizer ao público e ela ensina a frase em italiano para ele...ele anota e fica treinando a pronúncia.
É muito bacana mesmo!

E pensar que a maioria se limita a aprender o "obrigado".

Mas sem dúvida, o principal aqui é a música.
E vendo o Pearl Jam tocando com toda aquela paixão, eu sinto vontade de ligar para meus amigos de banda e chamá-los para tocar. Sinto vontade de compor canções tão fortes e poder tocá-las para um público tão apaixonado.
E principalmente me sinto inspirado. Fico orgulhoso de tocar numa banda de rock n' roll, de fazer isso com a mesma paixão que eles.
Me sinto forte o suficiente para não abandonar jamais essa que a coisa que mais amo no mundo.

Portanto, fica a dica.
DVD Immagine In Cornice (Pearl Jam live In Italy)

Não só para fãs da banda, mas para amantes de música de verdade.


Passarinho, que som é esse?


Into The Wild - Eddie Vedder


Aproveitando o assunto do post de hoje, venho falar-lhes também deste disco belíssimo do vocalista do Pearl Jam em projeto solo.

Into The Wild é um filme escrito e dirigido pelo Sean Penn. Eddie Vedder foi convidado a escrever a trilha sonora do filme e, pelo que consta, teve carta branca de Penn para fazer o que quisesse.

O resultado foi um disco sublime independente do filme.
Para quem não conhece bem o Pearl Jam, vai estranhar muito, pois as canções são todas essencialmente folk. Músicas serenas e introspectivas.
Quem já conhece bem o PJ sabe que o folk é parte do DNA da banda, haja visto que eles já substituíram a banda Crazy Horse em uma turnê, acompanhando o monstro-sagrado Neil Young, tido como "pai da matéria" em se tratando de folk.

Voltando ao disco.
Eddie Vedder caprichou nos timbres de violão e nos arranjos.
No Ceiling e Rise são belíssimas, contando com banjo e tudo.
Ecos do Pearl Jam e das referências rockers de Vedder como The Who e o próprio Neil Young aparecem nas ótimas Setting Forth e Far Behind.
Mas o grande destaque fica por conta das canções mais introspectivas, em tom de desabafo.
Society (minha favorita do disco) é de doer de tão bonita. Apenas na voz e violão, Eddie Vedder deixa transparecer uma certa angústia...
End Of The Road é puro Neil Young. Uma balada doce com guitarra dedilhada e bateria suave. Perfeita!
Guaranteed é linda, contando apenas com um violão dedilhado e uma melodia acolhedora.

Nas letras, Eddie Vedder continua questionador e apaixonado. Neste disco as letras parecem ainda mais pessoais do que nas músicas que escreve ao lado de sua banda. Confessional mesmo.

Sendo este o primeiro trabalho que Eddie Vedder faz sozinho, o saldo é extremamente positivo.

Into The Wild mostra que Eddie Vedder é um compositor maduro e talentoso e um músico competente e de muito bom gosto.

Enfim.
Vai correndo assistir o filme e ouvir o disco.


Este disco é para quem gosta de:
Fumar maconha na estrada, roda de violão, Neil Young, ser do contra, barba por fazer e cabelo ensebado, Elliot Smith, filmes cult.


Aperta o play, Macaco!- Sua Fama Faz Minha Inveja - Rafael Castro & Os Monumentais

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Luto!

Depois de muito ensaiar, publico este texto.
Texto que teve tantas linhas apagadas e re-escritas várias e várias vezes.
Porque o grande problema de quem vive não é ter ou não ter certeza. Não se trata só de acreditar em si mesmo nem ser alegre ou triste demais.

Porque ele tinha tudo isso! Dúvidas e certezas. Alegrias e tristezas.

Dizem que todo mundo tem um dom. Um talento especial.
Se essa generalização é correta eu não sei.
Mas sei que algumas pessoas que possuem um desses talentos acabam se moldando e vivendo por conta disso.
É uma coisa esquisita. Deliciosa.
É a única coisa que consegue fazer tu se sentir completo.
E também consegue fazer tu se sentir vazio.

É a poesia da arte.

Tu se torna personagem de tua própria canção. Do teu próprio filme.

Do teu próprio livro.

Você!
Este ser devastadoramente egocênctrico.
E ao mesmo tempo fraco e incerto.

O mundo real, para pessoas tão apegadas as seus talentos pode ser um lugar perigoso demais.
Uma vez nele, é difícil se manter sóbrio e ainda acreditar em tudo que se sonhou nos anos de inocência.
É difícil dar o passo adiante.
Mas a dúvida é o preço da pureza.

Todo mundo morre todos os dias, metaforicamente falando.

Este texto poderia muito bem falar de mim mesmo (e talvez até fale).

Mas por quê justamente nisso tu foi se meter a ser literal?


Para o amigo e grande escritor Fernando LePage (Ian Stein).


O legado:
O Verme da Big Apple

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pra Entender

"Pode me chamar de superficial, mas eu julgo sim uma pessoa pelos seu gosto musical e cinematográfico."
Assim fala o personagem Rob Gordon, interpretado por John Cusak, no sensacional filmee Alta Fidelidade, adapatação do livro de mesmo título de Nick Hornby.

E eu concordo com essa frase.
Não radicalmente, claro. Conheço pessoas incríveis que tem um gosto musical duvidoso e péssimo gosto para cinema.
Mas em geral me relaciono melhor com pessoas com perspectivas parecidas com as minhas em termos de artes em geral.

Estou dizendo isso porque hoje fui alugar alguns filmes e acabei alugando e assistindo um dos grandes filmes da minha vida.

Antes de falar sobre este filme, só quero que conste que assisti hoje também Força Policial (Pride And Glory, no original), o mais recente filme com o imbatível Edward Norton.
O filme é ótimo. Bem filmado, história envolvente e etc.
E Edward Norton mais uma vez não decepciona.
Quem me mostrar um filme ruim que Edward Norton tenha participado ganha um doce.

Mas tudo foi eclipsado quando começou Man On The Moon, O Mundo de Andy.

Se você quiser me entender melhor, me conhecer...entender porque faço determinadas piadas, ajo de forma esquisita de vez enquando...Pois então assista este maravilhoso filme que conta a trajetória de Andy Kauffman, um dos maiores artistas que os Estados Unidos já revelaram.

A visão de Andy Kauffman com relação as artes e a vida é bem parecida com a minha. A concepção de arte que mexe com o espectador de forma arrebatadora e desperta sentimentos diferentes...do riso ao ódio, das lágrimas à confusão...
Uma pessoa que tinha várias personalidades em uma só. Para no fim descobrir que não existe um verdadeiro Andy Kauffman. Porque todos os Andys eram verdadeiros. (Não, eu não contei o fim do filme...)

O filme é do diretor Milos Foreman (O Povo Contra Larry Flint), que não só dirigiu de forma sábia o filme, com o timing perfeito de todas as piadas e interpretações de Kauffman, como escolheu um elenco incrível.

Danny DeVito está perfeito no papel do empresário George Shapiro, sendo homem de negócios, mas também um visionário acreditando no talento de Kauffman mesmo nos momentos mais difíceis.

Paul Giamatti também cai como uma luva para o papel maluco de Bob Zmuda, parceiro e amigo de Andy.

Até a maluquete Courtney Love está especialmente bonita neste filme e com uma atuação impressionante.

Mas, obviamente, o grande e indiscutível destaque é Jim Carrey interpretando o personagem principal.
Carrey incorporou Andy Kauffman de forma impressionante. Para quem duvida, basta ir para o youtube e pegar videos com o próprio Andy Kauffman e depois comparar com as cenas do filme.
Mas o personagem de Jim Carrey vai além. É algo notável, inclusive na expressão facial do ator nas cenas finais, quando Kauffman já está com câncer em fase de desenvolvimento.

Apesar de o filme figurar na seção de comédia na maioria das locadoras, ele é um drama emocionante. É uma história que vai além do humor. É um filme que mostra a indústria do entretenimento sendo engolida por ela mesma. E dá uma boa amostra do que talvez seja arte de verdade.

A vida imita o vídeo, amigos a amigas.
O mundo, a vida...essas sim são as grandes piadas do universo.

Passarinho, que som é esse?

First Band On The Moon - The Cardigans

Qualquer pessoa que tenha vivido em sociedade, com acesso à rádio e/ou tv na década de 90 deve se lembrar do grande sucesso da música Lovefool. Uma canção que nasceu hit e foi impulsionada pelo carisma e beleza de sua intérprete, por entrar na trilha sonora do filme Romeu e Julieta (de 1996, dirigido por Baz Luhrmann com Leonardo DiCaprio) e clipe estourado na MTV.

O que a maioria das pessoas que se lembram dessa música não se deram conta é da qualidade do restante da obra da banda The Cardigans.

A banda começou em 1992 na Suécia como uma banda indie com uma sonoridade mais pop do que alternativa.
Em 1994 a banda lança seu primeiro disco, Emmerdale, emplacando localmente a canção Rise And Shine, já deixando claro o talento de Peter Svensson e Nina Persson, guitarrista e vocalista respectivamente, para compor melodias grudentas e saborosas.

Em 1995 chega o segundo disco, Life. O hit Carnival leva o nome da banda para além das fronteiras suecas e mostra um avanço musical, com músicas mais bem trabalhadas, cada vez mais evidenciando as qualidades vocais de Persson. Também destaca-se neste disco a inusitada, porém muito inspirada, interpretação da banda para a música Sabbath Bloody Sabbath, clássico do metal que ganhou tratamento lounge.

Mas o ano de 1996 foi o ano dos Cardigans.
O disco First Band On The Moon, empurrado pelo sucesso avassalador de Lovefool varre o planeta.
Quem teve a boa vontade de ouvir o disco todo e não só seu grande hit, com certeza teve uma surpresa agradabilíssima.

First Band On The Moon é recheado de hits em potencial. Músicas tão doces e encantadoras que dá pra imaginar que foram escritas com muito carinho...
O disco já abre a dançante Your New Cuckoo mostrando que a banda não tem vergonha de mostrar suas raízes (alguém falou em Abba?).

O que se ouve em seguida é uma sequência de canções que poderiam, sem exceção, figurar no dial de qualquer rádio sem fazer feio.
Muito dessa qualidade deve-se à impecável produção de Tore Johansson, que deu um acabamento pop refinado às canções de Persson e Svensson.

O disco traz além de grandes canções como a citada Lovefool, Been It, a sixtie Never Recover, Choke e a linda Great Divide, duas referências ao disco anterior:
A primeira é a canção Happy Meal II, espécie de continuação da canção Happy Meal (que figura no disco Life), com mesma estrutura melódica e letra parecida.
A banda também repete a dose fazendo mais uma releitura de um clássico do Black Sabbath. A bola da vez foi Iron Man, que ganhou um ar jazzy moderninho que, para muitos, reduziu a pó a versão original da canção.

Depois deste disco os Cardigans ainda lançaram mais três discos, mas nenhum que alcançasse a perfeição e equilibrío deste First Band On The Moon.
A banda continua em atividade. Atualmente leva um som um pouco mais melancólico que o pop ensolarado de Lovefool e Never Recover, mas continua uma banda talentosíssima e singular num cenário pop cada vez mais enlatado.

Em resumo:
Disco mais que recomenadado!

Este disco é para quem gosta de:
Balada, Abba, vodka com energético, Semisonic, dizer que é eclético, vocal feminino, melodias bubblegum, comédias românticas.

Dá o play, Macaco! - Let Me Go - Cake






domingo, 26 de abril de 2009

Comunicanções

Estamos em um tempo de constantes evoluções. Tudo é muito rápido e absurdamente fadado a ficar obsoleto.
Ano dois mil era futuro a pouco tempo atrás. Agora já é passado morto e enterrado.

Nossos pais e avós presenciaram mudanças fantásticas também.
A televisão mudou completamente o mundo e as comunicações. Diziam que a televisão acabaria com o rádio e etc. Depois, veio o computador, depois a internet...mas isso, a cada pelo menos vinte anos.
Nós em menos de vinte anos vimos o vinil dar lugar ao CD, que deu lugar ao DVD, que provavelmente dará lugar ao blue ray e por aí vai.

O mundo da mídia e das comunicações também sente isso na pele.
O jornal Seattle Post Intelligence recentemente parou de circular como mídia impressa na terra de Kurt Cobain para ser apenas um jornal on-line!
Cada vez mais, publicações preferem ser apenas on-line. Não se gasta papel, distribuição...

Na França, o governo tenta manter seus principais jornais circulando pagando assinaturas para os cidadãos, incentivando-os a manter a rotina de ler jornal tomando café. Atualmente, cada jovem que completa dezoito anos na França ganha de presente uma assinatura do Le Monde.

Olha que loucura!
A famosa cena do pai sentado lendo jornal domingo depois do almoço de domingo, ou tomando café da manhã está morrendo!

Onde isso afeta diretamente o trabalho do jornalista? Afinal, muda a mídia, mas o texto ainda é o mesmo, certo?

Errado.

A internet requer informações rápidas. Não tem blá blá blá.Tu escreve "Avião caiu na costa da Austrália matando 154 pessoas." Aí tu escreve um parágrafo dizendo que horas e de onde o avião saiu, pra onde ia, quantas pessoas tinha lá dentro, quantas morreram e pronto.
Se tu quiser saber mais, tem o famoso "clique aqui" que te leva a um texto maior.
Veja você que, em contra partida, hoje muita gente usa a internet como meio de justamente burlar essa rapidez de informação em textos informais e, às vezes, um pouco mais longos, porém não menos informativos. Jornalistas como Marcelo Tas e o colunista Lúcio Ribeiro mantêm blogs constantemente atualizados com textos deliciosos e cheios de informação.

Às margens da entrada da TV digital, não dá pra gente prever os caminhos da comunicação e do jornalismo. Mas que ainda vem muita mudança por aí, isso com certeza vem.

Cada vez mais tudo no mundo é vendável. Principalmente informação e entretenimento.
E, sabe como é, no nosso peito bate um alvo muito fácil.

Um dos melhores filmes que vi recentemente aborda justamente o lance da tecnologia e manipulação de informação.

Trata-se do excelente Rede de Mentiras, do mestre Ridley Scott, com um cada vez melhor Leonardo DiCaprio e o veterano Russell Crowe.
O filme mostra o mundo da espionagem sem o glamour do James Bond. E deixa claro que não há mocinho e bandido nos jogos de poder.

É um filme eletrizante e tenso. Prende o espectador até o último minuto.
A dupla de protagonistas, DiCaprio e Crowe merecem destaque.

DiCaprio, a cada longa que faz se mostra mais maduro e seguro de si como ator. Em Diamantes de Sangue, ele já tinha me impressionado. Agora, interpretando um agente da CIA no Oriente Médio, sério e honesto, mas sem exagerar no bom-mocismo, ele cresceu ainda mais no meu conceito.
Russell Crowe já é dos meus atores favoritos. Como sempre, dá show de interpretação. Aqui, como superior de DiCaprio na CIA, ele interpreta com maestria um agente poderoso e frio, que não mede esforços para conquistar seus objetivos.

Ainda no mundo da espionagem e tecnologia, assisti o sensacional Queime Depois de Ler.
Sendo filme dos irmãos Coen, de ante-mão já se supõe ser um filme de qualidade.
Mas desta vez os diretores de E Aí, Meu Irmão, Cadê Você se superaram numa comédia sem precedentes, com personagens tão reais quanto qualquer um de nós!

Se analisarmos bem, a película conta uma história de losers que se envolvem numa trama à partir de um CD com as memórias de um ex-agente da CIA que foi demitido por abusar demais da cachaça.

O elenco traz surpreendentes atuações. George Clooney, é um perfeito funcionário público conformado, meio idiota e mulherengo.
John Malkovitch é um bêbado recém-demitido, amargurado com a vida.
Frances McDormand é uma mulher de meia-idade obcecada por cirurgias plásticas.
E o grande destaque fica com Brad Pitt encarnando um instrutor de academia tapado que descobre os arquivos do CD com as memórias do ex-agente da CIA e resolve tirar proveito disso.

O filme é impagável!

O roteiro de Joel e Ethan Coen é maravilhosamente simples e torna os personagens pessoas comuns.
A grande graça do filme é essa. Toda a trama se passa em lugares e de formas como poderia acontecer com qualquer um.
Achar um CD no vestiário de uma academia e etc.
É um filme genial pela simplicidade e veracidade com que foi feito.

Uma coisa puxando a outra, falando em veracidade, eu gostaria também de escrever um pouco sobre música fora da seção "Passarinho, que som é esse?" pelo seguinte motivo.Várias pessoas vieram me falar que se surpreenderam ao ler uma resenha elogiosa da Mallu Magalhães aqui neste blog.

Portanto, eu quero deixar registrada aqui a minha opinião sobre música em geral, mas me baseando no caso da Mallu Magalhães.

É simples.

Tudo se resume aos sentidos. E sentimentos.
Para uma banda me agradar, basta, além de boas melodias, ter uma verdade, um sentimento latente ali. Isso fica perceptível na maneira como a canção é cantada, como cada instrumento é tocado, não necessariamente na parte técnica, mas na energia.

Quando eu ouvi Tchubaruba da Mallu Magalhães pela primeira vez me impressionei. Além de uma melodia saborosa pensei: "Opa...tem um coraçãozinho batendo forte aí."A garota passa na sua voz, na maneira de cantar, uma inocência e uma paixão que tornam as canções atraentes.
Acho que muita gente pegou birra dela por ela estar com o Marcelo Camelo...ou por ela ser tão jovem...sei lá.

Mas o fato é que ela é talentosa sim, faz folk com propriedade e sabe do que está falando e é bem autêntica na maneira de cantar.

Daqui pra frente é torcer pra ela seguir uma carreira sólida e não se acomodar na mesma fórmula.
Mas acredito que ela, tendo como referências Bob Dylan, Joni Mitchell e Johnny Cash, ela só tem a crescer musicalmente.

Agora sim...


Passarinho, que som é esse?


Buganvília - Pénelope


Sim, a injustamente esquecida banda Penélope!

Lembra? É aquela que tocava Holiday ("Espero o dia passar/ Espero o dia passar/ Ai ai ai ai/ Não toque em mim...") e que regravou Namorinho De Portão, do Tom Zé...

Pois bem, em 2001, a banda lançou este que foi seu segundo disco. Um disco que apresenta uma banda amadurecida e coesa! Com um estilo bem definido! Composições melhores que as do primeiro disco (Mi Casa, Su Casa), que também é um disco muito bom, mas meio cru e sem deixar clara a proposta da banda, atirando pra todo lado, musicalmente.

Neste Buganvília, a banda Penélope sentou o pé no pedal de distorção da guitarra e entrou de cabeça nos anos sessenta. Ouça o moog de Filme da Alma, a levadinha de violão e o naipe de metais de Um Quarto Para As Horas e a participação de Wanderléia na jovem-guardista Não Vou Ser Má e tu vai enender do que eu estou falando.

Outro ponto positivo do disco é que a banda deixou de abusar das programações eletrônicas, músicas como Abrigo e Der Mond, do primeiro disco, exageravam nesses recursos e acabavam sendo meio chatas (soando meio como a Bjork). Neste segundo disco, a banda acertou em cheio, dosando em algumas poucas faixas uma ou outra coisa eletrônica de forma atraente como a viajandona Junto Ao Mar.

Mas a banda deixa claro que o negócio ali é com rock n' roll!
Músicas energéticas como Nada Melhor Pra Mim e A Menor Distância Entre Dois Pontos acabam deixando o ouvinte curioso para ver a banda ao vivo!

A combinação de melodias da banda encanta qualquer um! Há quem não goste dos vocais da belíssima Érika Martins, mas pra mim, é uma das melhores vozes femininas que eu já ouvi no rock! A voz doce da namorada do Gabriel Tomáz ( guitarra e voz da banda Autoramas) cai como uma luva nas guitarras distorcidas e melodias doces da banda!
É uma pena que a banda tenha acabado sem ter sido devidamente reconhecida.
Pelo menos deixou este belo disco como registro maior de sua obra. Um disco que foi ignorado pela crítica na época, mas é irretocável.

Recomendado!


Este disco é para quem gosta de:
Power pop, comer brigadeiro, reclamar da TPM, Teenage Fanclub, cor de rosa, chorar em fim de comédia romântica e Skank.



Dá o play, Macaco! - Sob O Tapete - Engenheiros do Hawaii

terça-feira, 31 de março de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Mudanças

Com o outono, chega a sensação de mudança.
Passou o carnaval e, dizem que, agora o Brasil começa a funcionar.

Eu nunca entendi muito de políticas e etc. Sempre fui do tipo "amar e mudar as coisas me interessa mais".
Mas nota-se que as coisas andam meio erradas neste país.
Um delegado que se diz preocupado com a eficiência da polícia e admite a existência de milícias e comandos de extermínio é preso. O cara que atirou no pessoal que estava trabalhando no loteamento onde eu trabalho foi preso, reconhecido na delegacia e mesmo assim foi solto! Um outro cara que mora na mesma favela que esse cara que atirou no turma do loteamento foi preso porque não pagou pensão alimentícia...e ficou em cana!
Polícia civil e militar que deveriam trabalhar em conjunto, não só não se bicam, como o que uma puder fazer pra atrasar o lado da outra, faz.
E assim vai.

Bandido cada vez mais se acha dono do mundo, se acha intocável...

Tinha que começar a aparecer por aqui uns malucos que tem nos Estados Unidos como o Master Legend, que se auto-entitula siper-herói da vida real. Trata-se de um cara que, simplesmente, se fantasiou e saí pela rua atrás de bandidos.
A Rolling Stone publicou uma matéria muito bacana sobre esses figuras.

Claro que eu falo e tal...acho muito bacana, mas deixo pros malucos de verdade.
Eu que não me meto a besta de me mascarar e sair balançando minha pança Vila Barros afora em busca de bandidos.

Faço minha parte pela paz no mundo tocando canções doces e melodiosas para tentar abrandar alguns corações.

Minha demo está para sair em breve.
Faltam duas músicas a serem gravadas, o que acontecerá assim que meu produtor, Marcão Desco, retornar de sua lua-de-mel.
A capa ficou bacana, por conta do bom e velho el escama.
Enfim, a coisa está encaminhada.
Enquanto espera o troço sair, dá uma olhada no myspace onde você pode ouvir algumas das canções que entrarão na bolachinha.

www.myspace.com/paulomopho

Estes dias, reacendeu em mim a chama da paixão pela fotografia.
Peguei minha camerazinha digital e saí pela cidade em busca de coisas para fotografar.
Estava meio enferrujado e a câmera não ajuda muito, pois o foco dela é bem ruim.
Mas algumas fotos se salvaram e coloco elas abaixo aí pra vocês conferirem.

Sinto falta de fotografar com a minha velha Zenit manual. Mas só de pensar que entre comprar filme e revelar, a brincadeira fica em pelo menos vinte reais, eu desanimo.

Mas, afinal de contas, o que é a vida, senão uma visão desfocada e nublada por sentimentos inexplicáveis?



Passarinho, que som é esse?


Fashion Nugget - CAKE

O CAKE sempre foi uma banda surpreendente.
Desde seu início na California, já chamava atenção por seu estilo dançante, misturando diversas influências.
Apesar de seu primeiro disco, Motorcade of Generosity, ter sido lançado em 1994, a banda só ganhou notoriedade em 1996 com este Fashion Nugget, puxado, principalmente, pela impagável versão de I Will Survive de Gloria Gaynor.
Mas o disco vai muito além.

Numa mistura precisa e deliciosa de country, funk, rock, ska e pitadas de hip hop, a banda faz de Fashion Nugget um disco irretocável!
As principais características da banda são o singular vocal de John McRea, suas letras irônicas, bem humoradas e inteligentes e o trompete marcante de Vince DiFiore.

No Brasil o CAKE ficou mais conhecido só em 1998, com o terceiro disco, Prolonging The Magic, que trazia entre outros sucessos as matadoras Never There e Satan Is My Motor.
Mas Fashion Nugget já vinha recheado de hits instantâneos.

O disco já abre com a emblemática Frank Sinatra, que chama a atenção pela letra intrigante e pela melodia saborosa beirando o rock alternativo de bandas como Pavement.

Também destacam-se The Distance e Nugget com uma levada dançante e repetitiva remetendo ao hip hop, mas com riffs criativos e sonoridade crua.
Friend Is A Four Letter Word é das mais conhecidas do disco e, sem dúvida, das melhores composições de McRea. A letra é linda e a música é pungente. McRea praticamente recita os versos enquanto a guitarra não para, com um solo na cara e uma energia incrível!
Com uma levada mais country She'll Come Back To Me também ficou bem conhecida e é dessas músicas deliciosas de se ouvir, com uma levada cheia de suíngue e doçura. Menos conhecida, mas também uma saborosíssima canção alt-country é Italian Leather Sofa. Mais uma canção com uma letra super bem humorada e inteligente e um riff de guitarra grudento.

Não posso terminar a resenha sem falar das duas excelentes versões que a banda incluiu no disco.
A primeira é a, já citada, I Will Survive, que ganhou um tratamento rock n' roll com um suíngue inacreditável. O baixo de Gabe Nelson é surpreendente.
A segunda é a improvável Perhaps, Perhaps, Perhaps, versão em inglês do sucesso Quizás, Quizás, Quizás, clássica canção da música latina imortalizada na voz de Nat King Cole e do Trio Los Panchos. Nesta versão a banda abusa da latinidade de seu trompete, mas não economiza nas guitarras deixando a música super atraente.

É um disco fundamental para amantes de boa música!


Este disco é para quem gosta de:
Viajar com os amigos, dançar, som alternativo, Kings Of Leon, comida mexicana, camisetas estampadas.


Dá o play, Macaco! - I'm Down - the Beatles

quarta-feira, 18 de março de 2009

Tired of sex?

Estive relendo alguns posts meus, tanto aqui, quanto no meu blog antigo. Relendo um comentário do el escama, me pus a pensar...

É interessante pensar no amor como uma convenção. Uma herança de uma sociedade cristã, moralista e etc.
Claro, perde-se todo o romantismo da coisa.

Mas, racionalmente, se apaixonar, amar, acaba sendo um ato social.O rapaz se interessa pela garota, sente desejos e tenta conquistá-la.
Sim, porque sexo e amizade não é legal...tem que ter um compromisso.
Se ele consegue, começa um namoro. Se não consegue, vai pro bar se lamentar com os amigos.
Isso até conhecer outra garota.

Como homem, eu acho que seria legal isso.
Quero dizer.
Sexo pelo sexo, sem compromisso.
Não ter essa pressão toda de ter que conquistar a garota, namorar, ter briguinhas idiotas por ciúmes e etc...

Minha vida seria muito mais fácil.
A de todo mundo seria!

Mas o ser humano gosta é de complicar as coisas.
E eu acabo compensando meu lado cético acreditando que o amor é mais que uma convenção social.

Eu e el escama já conversamos por horas em botecos sobre isso tudo.
E sempre chegamos a mesma conclusão:
Eu finjo que não, tento escapar...
Mas eu não consigo querer uma garota sem estar, pelo menos um pouco, envolvido.
E não falo aqui só de amor incondicional.
Falo de tesão puro e simples.

Enfim...Definitivamente, eu estou precisando de sexo.
Urgente!



Passarinho, que som é esse?


Mallu Magalhães - Mallu Magalhães

Quando começou a crescer muito o falatório sobre a Mallu Magalhães, eu já fiquei com o pé atrás.
Aí veio a participação no disco do Marcelo Camelo (que ficou legal, admito)...virou meio hype.
Hype não é comigo. Então nem fui atrás.
Me mantive sem uma opinião formada, mas sempre com a dúvida ao meu lado.

Esses dias, buscando algum disco novo para ouvir, acabei caindo no link pra baixar o disco dela e mandei ver.

Depois de umas três audições, venho dar minha opinião.

É um disco muito legal por ser simples. Doce.
A garota convence na maioria das canções. A ingenuidade adolescente é refrescante para o folk-indie da adolescente.

Dou o braço a torcer.
Tchubaruba mereceu o falatório todo! É uma canção deliciosa! J1 também é linda. Abre o disco com perfeição.

Mas tem alguma coisa que ainda não me desce.
Não sei. Em algumas canções acho que os arranjos poderiam ser mais enxutos. É o caso de Angelina, Angelina e Vanguart, por exemplo.
É nítido que a graça das canções de Mallu é a doçura de sua voz por cima de arranjos simples como na singela Dry Freezing Tongue e na própria Tchubaruba.

Daria uma nota oito pro disco por algumas canções que se destacam muito pela sinceridade e belas melodias.
Talvez se o disco fosse mais curto, funcionaria melhor, não ficaria tão cansativo nas últimas faixas.


Este disco é para quem gosta de:
Acordar cedo, pagar de alternativo, Joni Mitchell, roupas de brechó, romances de verão, escrever em diários, Cat Power.



Dá o play, Macaco! - Mapas do Acaso - Engenheiros do Hawaii

quarta-feira, 11 de março de 2009

Deve haver alguma coisa que ainda te emocione...

O que ainda te emociona?


Eu gosto de pensar que são aquelas pequenas coisas que me emocionam. Um filmezinho surpreendente, uma bela canção...


Uma caminhada sem rumo num domingo de tarde enquanto fumo um cigarro. Parar pra tomar um café... Sonhar com um futuro promissor. Sentir-se livre.


É confortante pensar nisso tudo. Porque me faz ver que eu não estou tão distante do que eu tenho por humanidade.


A imperfeição.


Eu penso que não é tão ruim assim, às vezes. Eu não posso dizer que estou dando tudo de mim, mas estou me esforçando para sair de onde estou e chegar a um lugar melhor. Tenho plena consciência de que isso não é nada fácil. É quando você vê um filme e se identifica com o cara que se fode mas não abre mão de ser uma pessoa bacana. Inconscientemente, claro. É quando você ouve uma canção e sente ali no fundo aquela enrgiazinha fluindo...


Por esses dias, toda vez que ouço Maybe I'm Amazed do Paul McCartney, me dá um aperto no peito no refrão porque ela é uma música tão forte e que o Paul canta com tanto tesão enquanto martela o piano, e aí vem aquele solo de guitarra...É de arrepiar, não tem jeito!


E eu paro pra pensar no agora. Paro pensar que de repente nem adianta mesmo a gente ficar planejando muito esse futuro que tanto falamos. Mas acho que ninguém consegue de fato fazer isso...


E mesmo assim, ainda me pego pensando que eu posso tentar fazer outra coisa qualquer...talvez abrir, um bar...sei lá. Qualquer coisa que me faça aprender alguma coisa diferente, mudar de ares...


É inevitável, cara! O futuro tá aí pra gente pensar nele. Mas sem exagero. Cada vez mais chego á conclusão que a gente tá nesse mundo mesmo pra se foder, então, façamos isso da forma mais divertida possível, mesmo levando umas cacetadas no caminho.


Isso tudo é tão batido, né...


Acho que chegamos no limite aqui.


Mas falemos de coisas boas bonitas e baratas!


Ah, as baratas! Que bichinhos mais fofura do pai!

Vamos hoje aprender sobre as batatas...digo...baratas.
As baratas são insetos, mas não qualquer insetos. São insetos quase invencíveis. Perdem apenas para as aranhas e para as tartarugas.


As tartarugas são a evolução natural das baratas. Notem a semelhança...O casco e tal...só que nesta evolução ela perdeu algumas patas e anda devagarinho, além de ter uma cabeça retrátil, botar ovos e ser réptil.


As baratas gostam muito de se divertir. Em suas horas vagas, passeiam pelas casas alheias assustando as pessoas. Mas todas elas têm emprego e família. Por isso não é bonito sair por aí matando esses pequenos seres asquerosos tão adoráveis.


Para maiores informações sobre este assunto, procure a Baratos Afins.



Obrigado.






Passarinho, que som é esse?




Life Is Peachy - KoRn








Leitores e leitoras desavisados que lêem aqui eu falando sobre Beach Boys, Beatles e coisinhas meigas, não imaginam que eu também ouço música de retardados mentais. Mas sim, eu escuto, e gosto muito.


Mas o KoRn é um caso à parte. Uma banda muito peculiar.


Despontou em 1994 se não me engano com um excelente disco de estréia levado pelo clipe da singela canção Blind. O disco é realmente muito bom.
Eles praticamente abriram de vez o terreno pra cena new metal entrar de sola no mercado musical.


O interessante é que eu não gosto de new metal! Pra mim, é tudo banda meia-boca...neguinho que mais faz cara de mal do que toca. E é um estilo chato de se ouvir...sei lá. Nunca me agradou. Mas o KoRn...


O KoRn, principalmente por causa do vocalista atormentado Jonathan Davis, é uma banda que me passa muito sentimento. Chega a doer a angústia de Jonathan ao cantar, é fora do normal. Mesmo assim, algo aconteceu e a banda desbundou. Além de exagerar nos flertes com hip hop e rap, a carga sentimental parece diminuir cada vez mais. Já no terceiro álbum da banda, Follow The Leader, a banda, pra mim já não é a mesma.


Pelo menos eles deixaram uma grande obra! Um disco matador! Trata-se do segundo disco da banda:
Life Is Peachy foi lançado em 1996 pelo selo Epic. Foi produzido por Ross Robinson, que virou queridinho das bandas de new metal, mas que tem em seu currículo produções de bandas como At The Drive-In!


Neste disco, o KoRn conseguiu misturar alguns elementos que eu acho fantásticos na música. Sentimento, agressividade, suíngue, peso, nervosismo, insanidade, melodias, mais peso...e letras muito legais, que vão da depressão à pornografia!


A faixa de abertura é uma pequena amostra do que o ouvinte vai encontrar pela frente. Esquizofrenia, peso e outras coisinhas.


Daí em diante, a porradaria come solta. A cada música o baterista David Silveria deixa claro que é um dos melhores bateristas da década de noventa com uma pegada desgraçada de potente e muita criatividade, dando a banda muito um andamento rítmico absurdo! As guitarras são insanas, cheias de barulhinhos misturados à distorções saturadas e o jeito todo especial de Munky e Head tocarem. O baixo é praticamente martelado por Fieldy com muita propriedade e peso! E os vocais de Jonathan Davis exorciza seus demônios em urros desesperados numa catarse de angustia e raiva contagiantes!


Os destaques deste disco ficam com as faixas Twist, Good God, K@#Ø%!, Pornô Creep e Swallow.


O recado tá dado, macacada! Corram atrás desse disco que vale muito a pena!






Este disco é para quem gosta de:
Chorar de raiva, bater cabeça, filmes do Rob Zombie, bermudão com corrente pendurada, Faith No More, brigar com o pai e bater a porta do quarto.








Dá o play, Macaco! - Unattainable - Little Joy

terça-feira, 3 de março de 2009

A poesia toda prosa!

"Se eu tivesse, seu tivesse muitos vícios
O meu nome então seria Vinícius
Mas se esses vícios fossem muito imorais
Então eu seria o Vinícius de Moraes!"

Assim cantava uma patota de amigos quando o Poetinha chegava no Veloso, pequeno bar tradicional de Copacabana, já pedindo um uisquinho e sempre em companhia de belas garotas.
Vinícius não gostava muito da brincadeira, mas encarava com bom humor.

Essa é uma das histórias relatadas no belíssimo documentário Vinícius, dirigido por Miguel Faria Jr. e produzido pela filha de Vinícius, Susana de Moraes.
O filme emociona pela ternura com que trata a obra e a vida deste que é dos mais importantes poetas de nossa literatura, além de compositor brilhante.


Passando por todas as fases de sua vida, o documentário traz depoimentos de familiares (incluindo aqui Chico Buarque, que apesar de não ter parentesco direto, Vinícius era seu padrinho), amigos como Tonia Carrero que, com bom humor, revela muita coisa sobre a vida do poeta e os parceiros na música como Edu Lobo, Francis Hime e, é claro, Toquinho.

Permeando as histórias e depoimentos dos entrevistados, o filme apresenta Camila Morgado e Ricardo Blat contando trechos da história do poeta-diplomata e declamando alguns de seus poemas; e ainda contam com participações de músicos da nova geração interpretando algumas das canções de Vinícius.
Destacando-se aqui Yamandu Costa e Adriana Calcanhoto.

Apesar de lançado em 2005, só vim ver este documentário agora e me emocionei demais!
Minha admiração por Vinícius não vem de hoje. Quem me conhece sabe que, para mim, não há ninguém como Vinícius de Moraes, seja na poesia, na crônica ou escrevendo canções.

E o bacana desta película é que ela agrada desde fãs ardorosos até quem quer conhecer a obra de Vinícius.

Assim, finalizo este post, sem resenhar disco nem nada.
Falando deste documentário, da vida e da obra de Vinícius de Moraes, já basta.


Salve sempre a obra de nosso poeta maior
Seja falando do cotidiano, seja falando de amor!


"Quem pagará o enterro e as flores.
Se eu me morrer de amores?"

segunda-feira, 2 de março de 2009

People & Arts

Eu sou conservador!
Conservador não...é muito forte esse negócio de conservador...



Já sei!
Tradicionalista!



É isso!
Eu sou tradicionalista!


Pronto, falei!



Minha estadia em São Paulo neste carnaval me proporcionou apreciar uma forma de arte que poucas vezes tenho oportunidade de apreciar (confesso aqui um pouco de falta de interesse também). Trata-se do teatro.



Minha irmã mora na frente do Centro Cultural São Paulo, na avenida Vergueiro. No centro cultural os eventos culturais são baratíssimos. Nesta última sexta, dia 27, se eu tivesse ficado por lá, teria visto os Forgotten Boys por cinco pila.


Enfim, acabou que vi duas peças de teatro lá pelo módico preço de três reais cada. No sábado assisti a uma peça chamada Entre Divas e Senhoritas. No domingo, outra chamada Cold Meat Party - Festa do Presunto. E, na terça feira, gastando um pouco mais, fui ao Teatro Gazeta assistir a peça Toc Toc.


Entre Divas e Senhoritas é uma peça interessante, mas deveria ser indicada apenas para iniciados no assunto. Caso contrário, o espectador fica meio perdido...


Em resumo, a peça trata-se de duas ex-atrizes velhas em seu apartamento, onde, convivendo com a espera da morte, encenam grandes obras do teatro mundial. Essas encenações são pretextos para que as personagens relembrem causos envolvendo figuras do teatro paulista da década de 1950.


Interessante. Mas o foda é que o troço é meio caótico. Elas mudam de uma cena pra outra de repente. Quando tu está acompanhando uma idéia, elas já pulam pra outra, começam a contar uma história, voltam pra interpretação de antes...Na realidade, eu só saquei mesmo que a peça se tratava do que eu descrevi no parágrafo acima, do meio pro final, quando elas começam a citar fatos sobre Cacilda Becker e a ditadura...


Mas com certeza, 80% das citações e referências de peças famosas e etc passaram batidas pra mim.


No fim das contas, a peça me pareceu tão confusa que não me agradou.


Já a peça Cold Meat Party - Festa do Presunto, me agradou muito. Justamente por ser uma peça simples, linear...


A história se passa numa casa em Manchester, UK, onde está acontecendo o velório de um famoso escritor. Para o último adeus e para a esperada leitura do testamento, estão ali reunidos velhos amigos, ex-mulher, amante, filha e etc.
A história é ótima e engraçadíssima! Tem um ritmo perfeito entre entradas e saidas dos atores e uma linguagem atual. Irresistível mesmo!


A peça Toc Toc é na mesma linha. Comédia das boas. Texto gringo adaptado pro português.


A peça se passa numa sala de espera de um consultório médico. O doutor que atende ali é tido como grande especialista em TOC (transtorno obssessivo compulsivo). Os pacientes começam a chegar na sala, mas o médico está atrasado. Os personagens então passam a conversar e acabam numa grande terapia de grupo.


O texto é inteligente e muito engraçado! A atuação dos atores também é impressionante!

Baseado nisso, repito sem medo.


Sou mesmo tradicionalista!



Não gosto de jazz fusion e essas porras. Gosto do bom e velho Count Basie!






Passarinho, que som é esse?



RE - Cafe Tacvba



A banda mexicana Cafe Tacvba é provavelmente um dos principais expoentes de seu país, musicalmente falando. Foi a primeira banda latina a gravar um disco com o selo MTV Unplugged pela MTV americana, sem cantar uma canção sequer em inglês! São respeitados por gente como David Byrne e Beck.


Sem dúvida o disco fundamental (e que alçou a banda ao sucesso) foi este RE. Lançado em 1994, traz uma mistura saborosa de sons latinos que vão do bolero á salsa com rock n' roll e punk rock.

RE chegou a ser descrito como "equivalente ao álbum branco dos Beatles para a cena mexicana" segundo um crítico exagerado do New York Times.

Exageros à parte, o disco é realmente fantástico.


A mistura de estilos torna o disco atraente e exuberante. As composições são inteligentes e bem trabalhadas, com letras ora românticas, ora políticas, mas sem panfletagem.


Destaques para a saborosa La Ingrata, a dançante 24 Horas e a romântica Esa Noche. Isso sem falar na singela La Negrita com uma letra belíssima sobre simplicidade e amar seu próprio lar e Trópico de Câncer, que, com uma bela melodia, critica com lirismo de zapatistas a petroleiros.



Disco fundamental!






Este disco é para quem gosta de:


Ir no Fórum Social com a galera da faculdade, pagar de intelectual buscando suas raízes, Manu Chao, bandas descoladas, comer taco na Praça da República.






Dá o play, Macaco! - Tired Of Sex - Weezer

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

No post de hoje, tudo se funde.

A resenha do disco, o post, os sentidos, os sentimentos...


Passarinho, que sonho é esse?



Bandwagonesque - Teenage Fanclub


Antes mesmo que eu pudesse me dar conta, já estava ouvindo o mesmo disco pela terceira vez. Pensava as mesmas coisas.


The Concept
Não dá pra não pensar que eu estraguei tudo. Nunca fui bom em tomar decisões. Nunca pensei...enfim. As pessoas se fazem de duras e racionais, mas no fundo, todo mundo sabe o quanto dói. E eu me sentia tão querido que é inegável uma ponta de arrependimento.
Satan
Acendo outro cigarro e vejo todo mundo aplaudindo a banda.

December
As ruas estão calmas. Era outono e não fazia frio nem calor. A sensação era boa. minha mão direita quente segurando a mão esquerda dela. Às vezes a gente ficava em silêncio e eu ficava olhando pra ela. Ela ficava encabulada e ficava ainda mais bonita. Andar pela cidade nunca foi tão bom.

What You Do To Me
Noites e dias! Nada fazia muito sentido, mas foi a época da exploração mútua. Penso no sexo e em tudo que vem com ele. E penso que o sexo é só a cereja no bolo. A sensação de passar os dedos entre os cabelos dela que está com a cabeça encostada em meu peito enquanto dou uma profunda tragada no cigarro é algo impossível de se descrever.

I Don't Know
No que isso tudo vai dar eu realmente não sei. Mas, ao contrário do que eu pensava tempos atrás, acho que estou no caminho certo. Nada como crescer. Mesmo sem entender direito. Mesmo quando sinto que estou errado. Mesmo quando acho que tudo vai dar certo e duvido de mim mesmo em seguida. Eu queria poder te dar a dimensão da minha dúvida. Eu queria poder te dar a certeza que eu não tenho. Mas acho que tudo que eu tenho a oferecer é esperança.

Star Sign
Sei lá, eu queria estar longe. Onde ninguém me conheça. Onde eu possa conhecer alguém. Pode ser aqui, eu sei. Talvez seja até mais legal. Essa sensação de não saber como agir é estranha. Não é novidade pra mim, mas sempre me traz essa coisa de ser a primeira vez, de não saber como se comportar, o que dizer...o que esperar. Mas é fato, fazia tempo que eu não via uma garota tão bonita.

Metal Baby
Era sempre tão legal cantar aquelas canções todas. Como pôde a gente gostar de tanta coisa...ter tanto em comum pra acabar como acabou. Mas nessas horas, quando penso nisso, penso também em todos aqueles momentos. Penso em tudo que foi dito, escrito...cada olhar. Nunca vou esquecer aquele olhar...Nunca o rock n' roll foi tão doce. Só o rock era sobre amor.
Pet Rock
As coisas deveriam ser mais simples. Me lembro de não querer jogar o jogo. Besteira minha. Eu não percebia que à partir do momento que tu encara como jogo, perde-se toda a graça. O importante, mais importante do que vá acontecer depois, é dar as flores pra ela. É saber o que se sente e não querer esconder muito não! É besteira.
Sidewinder
É possível que eu tenha cometido vários erros. Eu me cobro muito isso. Talvez eu tenha mesmo forçado a barra, sem perceber. Talvez eu tenha, inconscientemente, cobrado algo a mais. Com certeza não devo ser dos melhores amantes. Saber dar atenção às coisas...às pessoas. Não que eu ache que eu mereça. Tempo, tempo, mano velho. Por quê eu não fui encontrar ela daqui cinco ou dez anos?

Alcoholiday
Olho pra frente. Ao mesmo tempo que estou excitado, tenho receio. Queria conseguir não pensar em nada. Porque é o que é: Nada. Não há chances...não é um jogo. Penso em tudo que passou pela minha vida. O século vinte um realmente me fez muito bem. Me ensinou no afago e na paulada que a simplicidade, que acreditar, que prazer, que dor de verdade...realidade...tudo isso é o que faz a diferença.

Guiding Star
Na verdade, nada disso faz muito sentido, faz? Quero dizer...por um momento lembro que fui feliz, no instante seguinte me dói saber que posso ter sido eu o culpado...eu posso ter machucado quem gostava realmente de mim. Mistura-se aqui carência, desilusão...e, por quê não, amor.
Is This Music
Olho pro céu e me lembro que ainda tenho o que conquistar, mesmo não sabendo bem o quê. Mas é bom acabar com esperança. Esperança. Palavrinha em destaque atualmente por aqui. Nada como, pelo menos poder achar, que se tem valor...


Respiro fundo.


Mais um cigarro?

Acho que vou ouvir o disco só mais uma vez.

Ficha Técnica
Bandwagonesque
Teenage Fanclub
Ano de lançamento: 1991
Gravadora: Geffen Records
Produção: Teenage Fanclub


Este disco é para quem gosta de:
Sorvete de creme, passear de mãos dadas, Beach Boys, namorar sério, supermercados e blusas confortáveis.


Dá o play, Macaco! - Blue - Joni Mitchell

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Rocks Off

Numa fase mais individualista, penso sobre várias coisas, mas nada tem tomado tanto meus pensamentos e meu tempo como a música.
É, eu sei...sempre foi assim. Mas agora é um pouco diferente. Tanto na concepção (ando numa fase criativa e estou compondo bastante) como na assimilação.



Foda, por exemplo, é ouvir Mull of Kentire.
É uma música besta. Tem o quê? Três acordes...? Mas, cara...o que essa música passa. Em determinados momentos você se sente um pouco escocês cantando aquela melodia tão bonita, tão reconfortante...E a gaita de foles que rasga a tua alma em pedaços.

É disso que eu estou falando!


Estive ontem no estúdio do Marcão para registrar algumas de minhas canções. Fui com idéias mirabolantes...vocais, arranjos de violão. Aí fizemos um primeiro take de uma música chamada Perto, composta na época em que eu estava com a Hortência. Gravamos direto, eu tocando e cantando, mais pra ser uma guia.
Quando eu ouvi como ficou, falei pro Marco: "Vamos pra próxima música! Essa tá pronta!"
Modéstia à parte, a música não faria muito sentido de outra forma que não aquela. Com a minha voz falhando e uma ou outra escorregada, mas transbordando em sentimento!

E isso foi o que ditou as gravações. Reduzi as canções a um ou outro backing vocal, sem as aspirações beachboynianas que caracterizam as gravações anteriores minhas e do Victor.


Hoje estava ouvindo a canção Signal Fire, da banda Snow Patrol.
É uma balada besta de uma banda que não traz muita coisa nova. Mas a música me passou muita coisa bacana...e eu, de cara peguei o violão pra tirar ela. E é outra música ridiculamente simples que se resume ao bom e velho lá, fá sustenido menor, ré e mi. Mas, claro, com um arranjo muito bem feito de guitarras e piano.

Também um pouco influenciado por Johnny Cash, que tenho ouvido exaustivamente, compus uma das canções mais simples da minha vida, porém, das mais belas, singelas...uma balada country arrastada e uma letra confessional sobre conquistas (ou a falta de).

E isso tudo acaba me animando um pouco. Eu que andei, ultimamente bem desiludido, musicalmente falando (pra não falar no resto...). Agora já posso dizer, com essas gravações e tudo mais, podem esperar um myspace e um tramavirtual com minhas canções. E podem esperar minha volta aos botecos com o violão pendurado na cacunda.

Mais uma vez, falo de música, de sua importância pra mim...e cada vez mais, me distancio um pouco daquela coisa rocker que eu sempre preguei. Não que eu negue isso. Pelo contrário.A banda Verafisher segue a todo vapor com novas canções e entusiasmo renovado em ensaios periódicos com direito a ceva e boas gargalhadas.
Ainda ouço Rock Rocket e acho genial. Ainda saio pela rua com fones de ouvido na orelha cantando a plenos pulmões o que quer que esteja tocando no meu mp3 player, de Beatles a Nirvana.

Mas alguma coisa dentro de mim anda preferindo caminhar pelas ruas desertas de domingo de mãos dadas com aquela garota ouvindo Simon & Garfunkel a pular em baterias insandecido e encharcado em suor.

Idade?


Talvez.



"Pensei que era liberdade, mas na verdade, era só solidão."


E isso não é tão ruim quanto parece.







Acho que tenho convivido demais com el escama...







Passarinho, que som é esse?



Maicou Douglas Syndrome - Comunidade Nin-Jitsu



A banda porto-alegrense Comunidade Nin-Jitsu tem a cara do rock gaúcho. Irreverente, politicamente incorreta, criativa...Mas quem pensou em Cascavelettes e Graforréia Xilarmônica, passou longe.

A CNJ começou no fim dos anos noventa com a impagável música Detetive, que saiu em demo e estourou pelas rádios gaúchas. Em 1999 a banda grava seu primeiro disco, o excelente Broncas Legais, com produção do mestre Edu K e lançado pela RockIt!.


O disco traz a criativa e irreverente mistura que a banda faz com o rock n' roll e o miami bass (ou, o funk carioca). E a banda se mostra competente em ambas as vertentes.


Adiciona-se aí as letras engraçadíssimas de Mano Changes (vocal), trazendo toda as remanescências da contra-cultura gaúcha, do nonsense, do Teatro do Absurdo, e, das letras sacanas sobre sacanagem e drogas (herança de TNT e Cascavelettes).

Mas em 2001 a banda refinou a fórmula do primeiro disco, assinou com a Sony Music, pegou Dudu Marote pra produzir seu segundo disco e jogou no mercado naquele ano o clássico Maicou Douglas Syndrome.
A fórmula é basicamente a mesma de Broncas Legais, mas este segundo disco é melhor em tudo.

A banda parece mais coesa. A produção de Dudu Marote saturou ainda mais as guitarras dando ainda mais peso à mistura de baterias eletrônicas do miami bass. As músicas com letras ainda mais escrachadas deixam o ouvinte atônito em sua primeira audição, pois o disco já abre com o hino Cowboy com um refrão matador escorrendo ironia e no final ainda repetindo a frase "para ser cowboy não precisa ser brigão"! Impagável!


Daí em diante a cabeça já está pronta para os clássicos Ah, Eu Tô Sem Erva, Ejaculação Precoce, Patife e Não Aguento Mais.
Ainda se destacam Amazônia, um "mezzo-hip-hop-mezzo-reggae" sobre o tráfico na fronteira Brasil-Colômbia, Primo Morango sobre as experiçências lisérgicas com primos mais velhos e a excelente Guri de Dois, um rockão cheio de groove sobre um moleque espoleta!

O disco, no fim das contas, é de cabo a rabo incansável, mistura com precisão funk, miami-bass, rock n' roll e reggae. Tem letras pra cantar junto, pular, chapar, trepar, dar risada e até pensar um pouquinho na vida (se você tiver bom-humor).


É diversão garantidíssima pra qualquer festa, churrasco e eventos afins!


Ah, e tem uma das capas mais bacanas dos últimos tempos!


Ah, e mais uma curiosidade: O Mano Changes, letrista e vocalista da banda, autor de pérolas como "Não aguento mais/Viver sem você/Pára de tomar LSD" ou "O meu pai já me dizia/Quem come as feia ganha as boa" foi eleito candidato estadual do Rio Grande do Sul pelo PP (Partido Progressista) em 2006 com mais de 42 mil votos!



Tire suas próprias conclusões.








Este disco é para quem gosta de:
Sair à noite com a galera, pular na piscina com roupa e tudo, filmes de adolescentes em busca de sexo, Red Hot Chilli Peppers, drogas em geral e perder o amigo, mas não perder a piada.




Dá o play, Macaco! - Always Look On The Bright Side Of Life - Monty Phyton

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

In My Life part II

Eu não consigo evitar.

A cada acontecimento da minha vida, eu vejo alguma coisa dos Beatles no meio.

É como eu e o Antonio sempre dizemos: Beatles está acima do gosto musical...banda favorita e etc. Beatles é religião.

Sei que parece exagerado. Mas, de fato, sempre acabo associando minha vida com algum aspecto da existência dos Beatles.

Primeiro, já que estamos no assunto beatle, vamos logo falar sobre o filme I Wanna Hold Your Hand.

O filme, a princípio, parece ser bem besta. Mas não é. Chega a impressionar o roteiro bem amarrado e recheado de surpresas. Cada personagem passa por situações inesperadas, engraçadas, emocionantes até.

O retrato da beatlemania é muito fiel. Fãs histéricas atacando qualquer coisa que lembre os Beatles, as tentativas de invadir hotéis, as hordas de policiais impacientes, adultos conservadores criticando aquela balbúrdia...
No meio de tudo isso, o filme vai se passando com uma fotografia esperta. Sempre que precisa enfatizar a presença dos Beatles, sempre que eles aparecem, ou estão de costas, ou só aparecem pés.

O filme é sobre adolescentes e para adolescentes (e beatlemaníacos em geral). Portanto, é um filme intenso, com cortes rápidos e trilha sonora praticamente ininterrupta, só com clássicos dos Beatles.

Não só a direção, como o roteiro são de Robert Zemeckis e a produção é de Steven Spielberg. Pois é, com essa turma falando dos Beatles...não tinha como sair um filme ruim.

Mais que recomendado.

Ainda falando nos Beatles, e também sobre mim mesmo...

Estou nas últimas páginas da mais recente e completa biografia dos Beatles, The Beatles, de Bob Spitz.O livro foi me dado de presente pela Kris, minha grande amiga que, atualmente, parece estar na ilha do Lost, de tão longe.

Enfim...É uma sensação difícil de explicar. À medida que se vai lendo o livro, constatar como a banda ia se desfacelando. E é tão difícil explicar o que aconteceu...É leviano demais culpar a Yoko pelo fim da banda, ou o aglomerado de picaretas que tomou conta da Apple, ou a inaptidão dos quatro para administrar seus bens, ou as drogas...

Mas o triste mesmo é ver a relação dos quatro desmoronando. Ler como, no início e até 1966, eles se divertiam criando juntos nos estúdios. E ver que de 1968 pra frente, eram só discussões, palavrões. Chegando ao ponto de George Martin ficar de saco cheio e abandonar os estúdios no meio das gravações.

E o que isso tem a ver comigo?

Bom, exatamente neste momento da minha vida, estou reconsiderando como me comporto e me relaciono com as pessoas. E como é difícil lidar com situações que envolvem sentimentos de várias pessoas. Como é difícil sem sincero ás vezes. Como é difícil!

Acho que faz parte do crescimento tu se desentender com algum grande amigo. Ter teu coração partido por uma garota que tu mal conhece. Depois ter teu coração partido por outra garota que tu até que conhece bem...depois partir o coração de alguma garota...e por aí vai.
É impossível crescer sem magoar ninguém.

E sem se magoar.

Leio sobre John e Paul discutindo nos corredores de Abbey Road e penso em alguns amigos. Leio sobre John, Cyn e Yoko e penso em outros amigos, Leio sobre Paul, Jane e Linda e penso em mim mesmo. Leio sobre John afundado em drogas e penso em outros amigos. Leio sobre Ringo, muitas vezes, indiferente demais, e penso em mim mesmo.

Todos seres humanos idiotas.

Eu, meus amigos, as garotas, os Beatles...

Porque são tantas coisas acontecendo...tanta gente. Eu sinto raiva, medo, esperança...e penso em rostos familiares. Gente que cruza meu caminho de repente.
Uma vez uma amiga me disse que achava covardia um cara querer uma garota e não se declarar.
E eu me senti covarde. Desde a adolescência. Um grande covarde.
Mas depois pensei melhor.
Não é bem covardia. Às vezes é auto-preservação. Às vezes é medo puro e simples, desses que inibem qualquer ação. Às vezes é inexperiência. Às vezes é o amor de verdade, que vira a cabeça do moleque no avesso...

Ah, mas claro, pode ser covardia mesmo também.

Uma vez, eu tocava numa banda que tinha um potencial do caralho. E a banda acabou porque cada um queria uma coisa diferente e o vocalista tinha uma namorada extremamente ciumenta que arranjava briga em todo lugar onde a banda ia tocar.Para preservar a amizade entre os integrantes, a banda acabou.

Uma vez quatro moleques pobres se juntaram para tocar skiffle, e depois rock 'n roll. Eles conquistaram o mundo e se separaram após oito anos do lançamentod e seu primeiro disco. E mesmo a quantidade imensa de ressentimentos que cada um levou consigo dessa separação não conseguiu ofuscar o brilho de sua obra e, lá no fundo de cada um deles, não abalou tanto assim a amizade.
Após a separação, George tocou com o John, Ringo tocou com o Paul e por aí vai.
Em resumo:
Todos seres humanos idiotas.
Eu, meus amigos, as garotas, os Beatles...
Todos tentando ser compreendidos, amados e etc.

Todos nós.Idiotas.



Passarinho, que som é esse?



O Fogo Não Acende na Cabeça do Macaco - Os Céticos


Totalmente independente, este EP me impressionou desde a primeira audição.
De Londrina, PR, o trio vem da extinta banda Silêncio que tinha uma pegada mais rock n' roll.

Rebatizados como Os Céticos, o trio ataca de chapéu e tudo com canções inspiradas evocando country e folk de qualidade.

Infelizmente contanto apenas com cinco canções, o EP O Fogo Não Acende Na Cabeça do Macaco é perfeito.

Dá pra ouvir repetidas vezes sem cansar, até decorar as letras e sair pela rua assobiando as melodias.

As letras são caso á parte. De uma simplicidade tremenda, as letras estampam sinceridade e espontaneidade.
O grande destaque é a divertidíssima Só Pra Me Irritar, onde o autor vai listando tudo que o irrita, ou como as coisas acontecem somente para irritá-lo. De tão boba, acaba sendo irresistivelmente deliciosa.
Hit certeiro!

A faixa-título do EP também se destaca pela sua letra imaginativa e sua melodia country-rock empolgante. O refrão é coro garantido nos shows.

As demais faixas não deixam a desejar às já citadas.
Só Quando Estou Só é a mais bela do disco, uma letra introspectiva que se encaixa perfeitamente no arranjo minimalista da canção.
Vou Me Desculpando é quase uma balada, mas com uma pegada energética.
E Tropagem é a mais rock da bolachinha com um riff de guitarra instigante e letra excêntrica.

O disquinho deixa o ouvinte com o famoso gostinho de "quero mais" após cada audição.
Sem dúvida é uma banda que ainda tem muito a nos oferecer.

Confira o som dos caras no myspace:

Longa vida aos Céticos!


Este disco é pra quem gosta de:
Chapéu e botina, filmes de caminhoneiro, Bob Dylan, papo-cabeça, estrada, Grateful Dead, barba por fazer e blusão com cheiro de maconha.


Dá o play, macaco! - Revolver - The Beatles



segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

In My Life

Fui arrebatado recentemente por memórias.
Fuçando na internet, cheguei por acaso a um site falando de filmes dos anos oitenta.
Em meio a vários filmes que fizeram minhas tardes um pouco mais felizes na Sessão da Tarde e no Cinema em Casa, encontrei o título Febre de Juventude.
E um frio percorreu minha espinha.

Todos sabem da minha devoção incondicional aos Beatles. A banda que representa, para mim, mais do que uma banda de rock n' roll. Os Beatles foram fundamentais para a minha formação cultural e é, cada vez mais, influência constante para mim enquanto apreciador de música e também tocando guitarra e bateria.

O que poucos sabem é que o primeiro contato que tive com os Beatles foi num filme. Chega a ser engraçado, mas é verdade. A primeira imagem que eu tenho dos Beatles são seus pés. Mas o que mais me marcou foi a canção I Want To Hold Your Hand. Isso porque assisti este filme: Febre de Juventude.

Quando assisti o filme, era muito garoto. Não consigo me lembrar da idade, mas certamente foi no máximo com dez anos. Nessa época não me interessava por música. Nem sonhava em tocar, fazer parte de uma banda. Mas claro que ouvia música e algumas me atraíam mais. É até bonito eu olhar pra trás e notar isso tudo. De alguma forma bizarra não tenho muitas memórias da minha infância...tudo é meio confuso, não consigo distinguir muito bem o tempo. Parece que comecei a contar minha vida à partir da adolescência mesmo. Mas lembro nitidamente de perguntar aos meus pais sobre os Beatles. Vi na coleção de discos do meu pai as famosas coletâneas vermelha e azul e, na mesma época, descobri fascinado que aquela música super legal que o Ferris Bueller cantava no filme Curtindo a Vida Adoidado também era dos Beatles.

Mas voltando ao assunto.
Este filme ficou na minha cabeça por um tempo, mas eu nunca o encontrei para alugar. Principalmente depois de um pouco mais crescidinho, com meus 16, 17 anos, já intimamente apaixonado pela música dos Beatles, voltei a procurar este filme. Quando procurei na Vídeo Fusão (vídeo locadora com o maior acervo da cidade na época) e não encontrei, desencanei.

E meio que esqueci disso. Ficou adormecido no meu sub consciente.

E agora, me deparo com ele! A primeira coisa que fiz foi me amaldiçoar por nunca ter pensado em procurar alguma coisa sobre ele na internet. Depois foi o encantamento. Depois, lendo sobre o filme, tudo, mas tudo mesmo, se encaixa. Parte da minha vida está naquele filme.

A começar pelo diretor.

Ninguém menos que Robert Zemeckis, de De Volta Para o Futuro e Forrest Gump, dois dos filmes que deixaram marcas profundas em mim.
A sinopse explica o filme.
Febre de Juventude (título original: I Wanna Hold Your Hand) se passa no ano de 1964, na primeira visita dos Beatles aos Estados Unidos, para participar do Ed Sullivan Show. O primeiro número um dos Beatles na América do Norte foi o compacto I Want To Hold Your Hand, que é, inclusive, a música tema do filme.

A beatlemania se alastra entre os jovens americanos, que, bem como em qualquer outro lugar por onde os Fab4 passavam naquela época, faziam de tudo para conseguir entrar em contato com seus ídolos.

O filme retrata esta comoção de alguns jovens americanos e seus planos para conseguir um contato com os Beatles, invadindo hotéis e etc. A cena a qual citei acima como "a primeira imagem que tenho dos Beatles são seus pés" é que em determinada cena, duas garotas invadem o hotel dos Beatles e ficam embaixo da cama do quarto onde eles estão. A câmera, mostrando a visão delas, filma apenas os pés dos quatro. Não sei por quê, mas essa cena é clara na minha cabeça até hoje.

O filme é de 1978, e, por incrível que pareça, conta com várias gravações originais da banda na trilha sonora. Provavelmente, na época, os direitos autorais não eram tão exorbitantes quanto hoje.

Tenho certeza que deve ser um filme besta e que corro sério risco de me decepcionar com ele. É a velha lei dos quinze anos.

Mas eu preciso correr esse risco e assistí-lo de novo!

O site em questão, onde encontrei o filme é o http://www.sessaodatarde.net/ que conta com uma lista de clássicos como Te Pego Lá Fora, Goonies e etc. E tudo para venda! Claro, não são os originais. Mas pelo jeito são cópias bem feitas. E a maioria com a opção de áudio dublado em português e original com legendas!

Não preciso nem dizer que na mesma hora comprei uma cópia pra mim do filme em questão.

Agora me resta esperar o filme chegar.
Parece uma coisa besta, eu sei, mas vocês não imaginam a emoção que é pra mim isso. Depois de mais de quinze anos, vou rever o filme que foi o primeiro contato que tive com a obra dos Beatles!

Possivelmente, o próximo post aqui será dedicado a este filme, mas aí, com minha opinião sobre o filme como um todo, e não só uma lembrança perdida.



Passarinho que som é esse?





The Age Of Plastic - The Buggles





A década de oitenta é realmente uma incógnita. Ao mesmo tempo brega, espalhafatosa...ao mesmo tempo rica em melodias, trazendo uma sensação de liberdade e criatividade.

Na verdade, o álbum The Age Of Plastic, pode ser considerado mais um rebento dos anos setenta que influenciou toda uma geração que culminaria na new wave de bandas como B-52's.

A banda The Buggles era mais um duo do que uma banda em si.

Formada pelo baixista Trevor Horn e pelo tecladista Geoffery Downes. Ambos ingleses, cresceram ouvindo rock progressivo e eletrônico como Yes e Kraftwerk. Na década de setenta, tocaram em várias bandas disco para levantar uma grana. E foi como se conheceram e montaram o projeto que, a princípio, se chamou Camera Club. O nome The Buggles faz referência ao filme The Plastic Age, de 1925.

Este mesmo filme serviu de base para o primeiro disco dos Buggles, The Age Of Plastic.

Lançado em 1980 The Age of Plastic é um disco conceitual discutindo os anseios e angústias do desenvolvimento da tecnologia para o bem e para o mal.

O resultado é um disco excelente. O contato dos músicos com a disco nos anos setenta deu a eles um acento pop às suas influências como o rock progressivo e o a música eletrônica.
O grande hit do disco foi a canção Video Killed The Radio Star, um pop saboroso, com uma linha melódica envolvente e um refrão ganchudo.

Também se destacam as faixas Kid Dynamo, um rock vigoroso com um arranjo de sintetizador na medida, Elstree, mais na linha de Video Killed The Radio Star, pop cremoso, mas um pouco mais introspectivo e melancólico e a faixa que abre o disco, Living In The Plastic Age, mais agitada e urgente com um arranjo bem trabalhadinho, convidando o ouvinte a mergulhar na proposta do disco.

No mesmo ano, o duo Horn e Downes gravaram o disco Drama com a banda Yes, substituindo Andreson e Wakeman respectivamente.

Em 1981 sai o segundo disco dos Buggles, já sem Downes nos teclados. Entitulado Adventures in Modern Recording, o disco não vingou e a banda acabou em seguida.

É um disco bacana de se ter. Dá pra escutar nas festas mais descoladas e tu pode impressionar seus amigos no bar mostrando que sabe o nome da banda que toca Video Killed The Radio Star, bem como um ou outro título de música dos mesmos...

Mas sem brincadeira, o disco é muito bom e, sim, é um clássico, e influenciou mais da metade das bandas dos anos oitenta.

Baixa que vale a pena!

Este disco é para quem gosta de:
Nostalgia, baladas gls, som moderno e retrô ao mesmo tempo, Martini com gelo, cores fortes e discos obscuros.

Dá o play, Macaco! - Fashion Nugget - Cake

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

We Want The Airwaves

Nesses últimos dias andei viajando bastante...estive em São Paulo e Campinas. Para relaxar, nos vários e longos trajetos que fazia de carro, resolvi passear pelo dial do rádio e ver o que achava de interessante.


Já esperava me decepcionar, é óbvio. Mas o troço foi um pouco mais fundo e eu me pus a refletir sobre isso.



Hoje em dia qual é a função da rádio FM?


Entretenimento?


Vá lá, nisso até que ela se sai bem. Alguns locutores são descolados e engraçadinhos. Mas mata o lance de tu ter um bloco de quatro músicas e um bloco de quase dez minutos de propaganda.
Mas o mais importante: A música. Onde entra?


Talvez essa seja a última preocupação de quem faz a programação da rádio. Se é que ainda existe o tal disc joquey, este deve ficar de cabelo em pé atualmente, quando, na programação da madrugada ele precisa "escolher" que músicas colocar na programação, já que durante o dia ele não tem essa "preocupação" pois, possivelmente, a programação já vem prontinha das gravadoras junto com um envelope cheio de "jabá".



Eu, lendo a excelente biografia dos Beatles por Bob Spitz (presentão que ganhei da sempre querida Kris), fiquei imaginando cada um dos Beatles em seus quartos, adolescentes, sintonizando a rádio Luxemburgo, porque a BBC britânica não veiculava nenhum rock e nenhum roll no fim dos anos 50. Então, a gurizada afim de ouvir som novo, sintonizava uma rádio de Luxemburgo para ouvir as novidades!


Ouvir as novidades!


Imagine você, ligar o rádio para ouvir músicas que você ainda não conhece. Ligar o rádio em busca de sons novos...



Me lembro de ler sobre a lendária rádio Fluminense FM, chamada de "Maldita" que, nos anos 80, trazia o que havia de mais novo no rock mundial. Me lembro de ler que gente como Kid Vinil ouviu Pixies e coisas do gênero pela primeira vez na Flu FM!


E olha que naquela época não tinha internet nem nada. Tocava no rádio a fita que o amigo do dj gravou quando foi pros Estados Unidos...


E esta mesma rádio, hoje em dia, está igualzinha a todas as outras rádios...



Será que o mundo desencanou de ouvir música pela música? Será que está tudo tão vendido assim que ninguém mais se importa?



Tem uma rádio que pega em São Paulo e em Campinas que se chama Nova Brasil FM. A proposta da rádio, segundo a mesma, é tocar a moderna música brasileira.


Legal!


Eu fiquei esperando ouvir Lenine, Seu Jorge, Orquestra Imperial...até os mais mainstream...Maria Rita e etc.


Qual o meu espanto quando começam a se suceder músicas como Saigon do Emílio Santiago, Leãozinho do Caetano...peraí...não era pra tocar a nova mpb?



A mesma coisa com as rádios rock! 89FM, Kiss FM...ao invés dos caras tocarem sons novos...que seja Strokes e etc...ou os nu metal da vida...não.


Eu, incrédulo, perdi a conta de quantas vezes ouvi Rock n' Roll do Led Zeppelin nessas rádios!Como assim?


Claro que os clássicos são fundamentais...a molecada de 14, 15 anos que ouve a rádio precisa conhecer...mas daí a ficar o dia todo tocando clássicos é doer.



Do jeito que as coisas andam no mundo da música, os emos não estão tão errados de ficar chorando pelos cantos.






Passarinho, que som é esse?





The Chirping Crickets - Buddy Holly






Falando em rádio e influenciar pessoas, nada melhor que ir nas profundezas do rock para encontrarmos pérolas escondidas.



Buddy Holly é um dos artistas fundamentais do rock n' roll. Era quase um anti-herói em sua época, onde a imagem do rocker era o topete, jaqueta e jeitão de mal, Buddy ostentava seus clássicos óculos de aros grossos e um sorriso ingênuo.Além do mais, ao contrário de noventa por cento dos cantores e bandas da época, Buddy Holly era um dos poucos que compunha suas próprias canções.



Este disco é o grande marco da carreira de Buddy. Foi seu primeiro disco de sucesso ao lado de sua banda The Crickets.


Apesar de seus grandes clássicos como Peggy Sue, Words Of Love e Ready Teddy, constarem em seu segundo disco "Buddy Holly" de 1958, The Chirping Crickets, lançado em 1957 marca seu primeiro registro em vinil e influenciou gerações, além de contar com músicas que ganharam alguma notoriedade como Oh Boy, Send Me Some Lovin' e Rock Me My Baby.



Este disco é inovador principalmente pela criatividade de Buddy que, ao compor, fugia um pouco dos clichês do rock n' roll até então de se fazer simplesmente sol, dó e ré com sétima. Buddy Holly fazia arranjos simples, mas sempre com algumas linhas de fuga melódicas interessantes que seriam influência direta para Paul McCartney e John Lennon.



O próprio McCartney chegou a declarar que Buddy Holly sempre foi seu grande herói no rock. Paul disse que depois de saber que Buddy Holly compunha seu próprio material, se encorajou a compor também.



Agora imagine você, se Paul McCartney nunca tivesse sido encorajado a compor...o que seria do mundo da música?



Buddy Holly, infelizmente, em 1959 entrou num avião com Ritchie "La Bamba" Vallens e voou para a morte.



Mas hoje ainda é reconhecido como compositor revolucionário do rock n' roll.



Mais que recomendado, este disco é discoteca básica.



Disco para quem gosta de: Topetes com brilhantina, Coca Cola com baunilha, carregar o maço de cigarro dentro da camiseta, passear de carro, filmes antigos.



Dá o Play, Macaco! - O Fogo Não Acende na Cabeça do Macaco - Os Céticos.